Brasil volta ao radar do investidor global e mercado imobiliário tem oportunidade da década, diz CEO da Loft

em Portas, 15/abril

Queda de juros, capital estrangeiro e avanço tecnológico favorecem o setor em 2026.

Longe dos conflitos geopolíticos, fazendo a lição de casa na economia e com forte digitalização de serviços financeiros, o Brasil voltou ao radar dos investidores globais, o que pode se traduzir na “oportunidade da década” para o mercado imobiliário, avalia Mate Pencz, cofundador e CEO da Loft.

Pencz relata que, em dois encontros com empresários neste ano, observou um interesse raramente consensual sobre as perspectivas do mercado interno brasileiro. Na Índia, o executivo esteve ao lado de líderes de Inteligência Artificial; em São Paulo, recebeu um grupo de investidores internacionais.

“Mesmo em contextos muito diferentes, a mensagem foi a mesma: o Brasil voltou ao radar global como raramente antes”, afirmou o executivo durante a Convenção Loft/ Portas 2026, que acontece na quarta (15) e quinta (16), em São Paulo.

Fatores macroeconômicos impulsionam o cenário

Um dos fatores que joga a favor é a percepção de melhora do cenário macroeconômico. Ele destaca o início do ciclo de queda de juros no Brasil, com a Selic em trajetória de redução após atingir níveis recordes nos últimos anos. “Isso libera crédito, reduz o custo de capital e estimula investimentos”, afirmou.

A queda dos juros internamente ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos mantêm os juros mais altos e indicam menos pressa para realizar novos cortes. Assim, o diferencial de juros joga a favor do Brasil, com mais investidores interessados em “arbitrar”, o que favorece os fluxos globais de capital para cá.

Em 2025, o Brasil recebeu US$ 77,7 bilhões em investimentos estrangeiros, segundo o Banco Central, figurando novamente entre os principais destinos globais de capital, destacou o executivo. Outro canal que atesta esse otimismo é a Bolsa de Valores, que registrou entrada de capital estrangeiro de quase R$ 54 bilhões no primeiro trimestre.

Mercado imobiliário foi resiliente em 2025

No setor imobiliário, o executivo afirma que os números recentes reforçam o potencial de crescimento. “Mesmo com juros altos, 2025 foi um ano histórico”, disse Pencz. O executivo listou dados do setor no ano passado:

  • Mais de 453 mil unidades lançadas
  • Mais de 426 mil unidades vendidas
  • VGV acima de R$ 260 bilhões

Pencz destaca que os resultados operacionais do primeiro trimestre já conhecidos das principais construtoras e incorporadoras confirmam a perspectiva positiva em 2026. “Agora, imagine esses fatores se combinando: juros em queda, capital entrando, tecnologia acelerando e o Brasil ganhando destaque global”, afirmou.

O executivo também avalia que fatores estruturais reforçam a atratividade do Brasil, como a matriz energética renovável, a relevância do agronegócio e a posição geopolítica do país. “Em um cenário global mais tensionado, o Brasil aparece como um porto seguro para o capital”, disse.

“Brazil Stack” impulsiona transformação

Outro fator relevante, segundo o CEO da Loft, é a infraestrutura digital brasileira, que ele chama de “Brazil Stack”, formada por soluções como Pix e Open Finance. “É uma das infraestruturas mais avançadas do mundo e começa a transformar o mercado imobiliário”, disse.

Entre as oportunidades, ele aposta na digitalização de transações, uso de inteligência artificial, automação de processos e novas formas de avaliação de imóveis. “Estamos vendo o início de um ciclo de inovação relevante no setor”, afirmou, ressaltando que 52% das transações de compra e venda e 63% das de aluguel ainda acontecem sem uma imobiliária.

“Ponto de virada”

Na avaliação do executivo, 2026 pode marcar uma inflexão importante. “Capital, tecnologia e demanda estão se alinhando de um jeito raro”, afirmou.

Ele cita ainda exemplos de ganhos de eficiência já em curso no setor, como soluções que reduzem custos de aluguel para inquilinos e ampliam receitas para imobiliárias e proprietários. Segundo Pencz, os locatários hoje chegam a economizar R$ 110 milhões ao ano com fiança aluguel. “Temos a chance não só de acompanhar essa transformação, mas de liderá-la”, disse.

A Loft planeja investir R$ 100 milhões em tecnologia neste ano e acelerar esse ritmo para R$ 500 milhões nos próximos três a quatro anos, detalhou Pencz.

O executivo destacou que, para 2026 e 2027, o cenário é de crescimento do Brasil e uma tendência de aceleração dos fluxos de investimentos externos. “Além disso, o cenário é favorável dentro do nosso próprio mercado também”, disse.

Ele destacou que a taxa de intermediação do mercado imobiliário brasileiro hoje, em torno de 50% para as vendas, está muito aquém do nível observado em outras economias, como Estados Unidos e Inglaterra, com taxas de 95%.

“Mesmo se o mercado imobiliário como um todo não crescesse, e ele vai crescer, tem uma oportunidade grande de conscientização do mercado e de profissionalização”, afirmou o executivo.

A convenção Loft/ Portas é um evento anual da Loft para imobiliárias, realizado nos dias 15 e 16 de abril, em São Paulo (SP).


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