Na última semana, o presidente do Instituto Elon Soares (IES), Marcelo Camorim, foi recebido pelo presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Felipe Melazzo. Durante a reunião, discutiu-se um tema que, embora não seja novo, é recorrente e de fundamental importância: a escassez de mão de obra no setor da construção e as formas de solucionar este gargalo. Camorim propôs à Ademi a realização de uma parceria para enfrentar essa questão, que pode impactar o andamento das obras no Estado.
Goiânia é uma cidade vibrante, com muitas obras em andamento. Em 2025, segundo dados da Ademi, foram lançadas quase nove mil unidades entre moradias, salas comerciais e hotelaria. Para este ano, a previsão de Felipe Melazzo é de que o ritmo seja mais moderado, o que é esperado devido ao ano eleitoral e à Copa do Mundo; no entanto, ele afirma que “as empresas estão se movimentando, planejando, desenvolvendo projetos, aprovando e a retomada será rápida logo após o fim deste ciclo, e as pessoas precisam estar preparadas”.
Cenário do setor imobiliário
O cenário geral, segundo Melazzo, é positivo e o setor deve continuar contratando, uma vez que as vendas estão saudáveis e o estoque de imóveis para venda está dentro do esperado. Para ele, “entender as barreiras e promover a qualificação é solução”.
Marcelo Camorim disponibilizou as instalações do Instituto Elon Soares, localizado em Trindade, para fornecer qualificação gratuita e conscientizar a população sobre a importância desse setor para a economia. O IES está com inscrições abertas para cursos gratuitos como pintor de paredes, construção a seco, revestidor de pisos, encanador/instalador hidráulico, aplicador de impermeabilização e instalador de telhados.
Entendimento sobre a escassez de mão de obra
O Estudo “Escassez de Mão de Obra na Construção em Goiás”, realizado em 2023 pelo Sebrae, em parceria com o IEL e a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIeg), esclarece a situação atual. Em um setor tão ativo, como podemos falar em falta de mão de obra? A equação é formada pela perda de trabalhadores ao longo do tempo e o aumento gradual das obras. Segundo dados do Caged, entre 2013 e 2016, o setor registrou a perda de 24.179 trabalhadores no Estado. A partir de 2019, até 2023, o aumento foi de 23.556 trabalhadores, indicando que a recomposição do quadro ainda não é suficiente para atender à demanda crescente.
Outro fator relevante é a faixa etária dos profissionais que ingressam no segmento. O estudo mostra que a maior parcela está concentrada na faixa de 30 a 39 anos (31%), seguida por aqueles de 40 a 49 anos (23%) e 50 a 64 anos (16%). Com isso, há uma necessidade premente de qualificar constantemente novas pessoas para substituir os trabalhadores iniciantes, a maior escassez atualmente enfrentada pelas empresas. Na faixa de 18 a 24 anos, o setor abriga apenas 13% dos profissionais, porém, segundo Melazzo, a habilidade mais necessária está nesse grupo, onde novos trabalhadores poderiam ser integrados como jovens aprendizes, conciliando trabalho e qualificação.
A importância da qualificação
Camorim e Melazzo concordam que a informalidade e a chamada uberização têm atraído muitos jovens atualmente; no entanto, é fundamental que entendam as implicações dessas escolhas a longo prazo. “Se um jovem entra hoje no setor sem qualificação, como servente, após fazer um curso, em até um ano, ele pode se qualificar para auxiliar de uma função técnica e seu salário irá aumentar muito. Após mais um curso, ele se qualifica como meio-oficial e, em pouco tempo, pode se tornar um profissional de carpintaria, pintura, instalações elétricas, entre outras funções que, além de bem remuneradas, são formais e oferecem muitos benefícios, incluindo planos de carreira”, destacou ele. Segundo Melazzo, o salário médio de um iniciante na construção civil pode ser até 100% maior do que o de um profissional do comércio ou do turismo.
Marcelo Camorim enfatiza o quanto a qualificação pode transformar a vida das pessoas que decidem seguir uma carreira na área. “Temos casos no Instituto de mulheres, homens, pessoas que eram de outras profissões e estão buscando se qualificar no setor para obter uma renda melhor”, revelou ele.