O mercado imobiliário no Brasil começou 2026 com perspectivas positivas, considerando a provável queda na taxa de juros, uma base sólida de crescimento vinda do ano anterior e possibilidade de crescimento no programa Minha Casa, Minha Vida.
Nesta reportagem, o Portas vai trazer perspectivas para o mercado(e explicações) para os próximos meses do ano.
No cenário internacional, há uma fase de acomodação. Após ciclos intensos de alta de juros nas principais economias, a tendência predominante é de crescimento moderado, com maior seletividade por parte de investidores institucionais e foco em ativos resilientes — como residencial multifamiliar, logística e retrofit urbano.
Nos Estados Unidos e Europa, a estabilização das taxas de financiamento e a recomposição gradual de estoques ajudam a reduzir a volatilidade observada entre 2022 e 2024. Ainda assim, o ambiente global permanece sensível às decisões de política monetária e às pressões inflacionárias remanescentes.
Esse pano de fundo internacional influencia o Brasil — mas o desempenho doméstico em 2025 mostrou que o mercado nacional tem dinâmica própria.
Para Fabio Gallo, professor de economia da FGV, o setor imobiliário deve ser pensado sempre em três segmentos: o popular, que segundo ele deve continuar muito forte. “O médio padrão é quem tende a sofrer mais devido à sensibilidade à taxa de juro e ao crédito bancário”, diz. E, por fim, o segmento de alto padrão, que segue resiliente mesmo com os preços subindo mais do que a inflação.
Recorde de 423 mil imóveis vendidos em 2025 consolida o setor para 2026
Apesar da taxa Selic elevada ao longo de 2025, o mercado imobiliário brasileiro registrou crescimento expressivo nas vendas, surpreendendo parte dos analistas que projetavam desaceleração mais intensa.
No acumulado de 12 meses até meados de 2025, o mercado alcançou cerca de 423 mil unidades vendidas, um dos maiores volumes da série histórica monitorada pelo setor.
O mercado de imóveis usados também apresentou expansão. Levantamento do CRECISP indicou crescimento de quase 12% nas vendas no estado de São Paulo
Esses números consolidaram 2025 como um ano de forte absorção imobiliária, mesmo diante do crédito mais caro.
Crédito imobiliário em 2026: projeções indicam crescimento de 16% no setor
O principal fator que determinará o ritmo de 2026 é o comportamento do crédito imobiliário.
De acordo com projeções da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip):
- O crédito imobiliário pode crescer cerca de 16% em 2026
- Financiamentos com recursos do SBPE devem avançar aproximadamente 15%
- Operações com recursos livres (mercado de capitais, CRIs e LCI) tendem a expandir de forma mais acelerada.
A manutenção da Selic em patamar elevado no início de 2026 ainda impõe cautela, mas a expectativa de redução gradual ao longo do ano pode reativar a demanda reprimida, especialmente da classe média.
Estudos do setor indicam que cada ponto percentual de queda na taxa básica pode incluir cerca de 160 mil novas famílias no mercado de financiamento imobiliário, ampliando significativamente o público apto à compra.
Jason Vieira, economista da Infinity Asset, acrescenta os fatores fiscal e político à equação. “Isso pode restringir a velocidade do ciclo de cortes de juros, via spreads e confiança, mas como cenário-base, a perspectiva é de viés moderadamente positivo.”
Oportunidades em 2026: mercado imobiliário cresce no Nordeste e em cidades médias
Capitais consolidadas
Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro devem apresentar crescimento mais moderado, com valorização sustentada, porém menos acelerada que nos ciclos anteriores. A dinâmica será marcada por seletividade, foco em bairros consolidados e imóveis com boa eficiência energética e liquidez.
Capitais do Nordeste e cidades médias
Mercados como João Pessoa, Salvador, Fortaleza e cidades médias do interior vêm atraindo investidores e compradores finais. O movimento é sustentado por custo de vida relativamente menor, expansão de infraestrutura e migração interna.
Habitação popular
O programa habitacional federal permanece como pilar estrutural do mercado. O segmento econômico demonstrou maior resiliência em 2025 e tende a continuar liderando volumes em 2026, especialmente se houver manutenção ou ampliação de subsídios.
Juros altos e custos de construção: os principais desafios do mercado em 2026
Mesmo com o cenário positivo de vendas em 2025, o mercado enfrenta entraves relevantes:
- Custo do financiamento ainda elevado
- Pressão sobre custos de construção
- Redução da atratividade da poupança como fonte tradicional de funding
- Desigualdade regional na velocidade de recuperação
Além disso, incorporadoras seguem ajustando lançamentos ao ritmo real de absorção, evitando excessos de oferta que marcaram ciclos passados.
Perspectivas para o mercado imobiliário em 2026: juros e demanda por moradia
O mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 com três características centrais:
- Base sólida de vendas em 2025
- Demanda estrutural ainda forte por moradia
- Dependência direta da trajetória dos juros
Se a redução gradual da Selic se confirmar, o setor pode experimentar um novo ciclo de expansão moderada, com aumento de crédito, retomada mais intensa da classe média e valorização real de ativos em mercados estratégicos.
Caso contrário, o cenário tende a ser de crescimento mais contido — porém ainda resiliente, sustentado pelo segmento econômico e pela necessidade habitacional do país.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o consumidor já dá sinais de maior controle de crédito, mas ainda não indica inadimplência. “Será um ano muito positivo para o Minha Casa, Minha Vida, com mais lançamentos nessa faixa”, avalia.
O que define o preço dos imóveis: crédito, políticas públicas e consumo
Crédito e Financiamento
O acesso ao crédito imobiliário permanece um dos temas centrais para o mercado imobiliário 2026. A manutenção de juros altos tem pressionado o custo das prestações e limitado a capacidade de compra de famílias, especialmente nos segmentos de renda média.
A oferta de crédito tradicional — via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) — continua criteriosa, o que tem impulsionado fontes alternativas como o mercado de capitais via Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e fundos imobiliários.
A expectativa de queda gradual das taxas ao longo do ano tende a aliviar esse ritmo restritivo, ampliando o acesso ao crédito e suportando maior volume de transações.
Programas Habitacionais e Políticas Públicas
Programas sociais de habitação, como o Minha Casa, Minha Vida e suas atualizações, continuam a desempenhar papel importante na atividade do setor, estimulando tanto a construção quanto a demanda por imóveis de interesse social. Essas iniciativas influenciam positivamente não apenas a oferta de moradias, mas também o emprego e a cadeia produtiva da construção civil.
Mudanças no comportamento do consumidor
Pesquisas recentes apontam o fortalecimento da intenção de compra de imóveis entre diferentes gerações — com destaque para consumidores mais jovens que veem a aquisição de um imóvel como prioridade nos próximos anos — apesar de preocupações com inflação, custo de vida e segurança.
Financiamento imobiliário em 2026: impacto da Selic e novos modelos de funding
Crescimento dos financiamentos
Expansão do crédito imobiliário: Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume de financiamento de imóveis no Brasil deve crescer cerca de 16% em 2026, após um avanço mais modesto em 2025.
Essa expansão é impulsionada pela perspectiva de queda gradual da taxa básica de juros (Selic) ao longo do ano e pelas mudanças no modelo de funding (recursos de financiamento).
Recursos por modalidade: As concessões com recursos do SBPE (poupança) devem avançar em torno de 15%, enquanto os financiamentos com FGTS (voltados à habitação social) devem crescer cerca de 5%. Operações com recursos livres, que incluem instrumentos de mercado de capitais, estão projetadas para expandir fortemente — até 66%.
Mudanças no SFH e novo modelo de funding: o que muda no financiamento
Novo modelo de funding: O governo brasileiro anunciou uma reformulação do modelo de financiamento imobiliário, com alterações que incentivam a disponibilidade de recursos e reduzem exigências de compulsórios bancários, dando mais espaço para crédito habitacional no mercado. Isso é visto como um fator positivo na expansão de ofertas de financiamento e possível redução de custos efetivos para tomadores.
Aumento do teto do SFH: A elevação do teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) — de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões — amplia a faixa de imóveis que podem ser financiados com condições reguladas, beneficiando especialmente a classe média.