O mercado imobiliário brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento nas vendas de imóveis residenciais novos, mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados. De janeiro a junho, foram comercializadas 226.536 unidades, alta de 5,4% em relação às 214.910 unidades vendidas no mesmo período de 2025.
Os dados fazem parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais do Segundo Trimestre de 2026, levantamento realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da sua Comissão da Indústria Imobiliária (CII), em correalização com o Sesi Nacional e elaborado pela Brain Inteligência Estratégica.
No segundo trimestre deste ano, foram vendidas 113.676 unidades residenciais, crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre de 2026 e de 5,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando haviam sido comercializadas 107.924 unidades.
Os lançamentos apresentaram comportamento mais moderado. Entre abril e junho de 2026, foram lançadas 107.161 unidades, crescimento de 2,6% em relação ao primeiro trimestre deste ano, mas recuo de 1,3% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado dos primeiros seis meses de 2026, foram 211.651 unidades lançadas, praticamente estáveis em relação às 212.338 registradas no primeiro semestre de 2025, uma redução de 0,3%.
Os lançamentos apresentaram dinâmicas distintas entre as regiões do país. Na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, o Nordeste registrou crescimento de 24,6%, seguido pelo Centro-Oeste, com 19,1%, e pelo Sudeste, com 1,2%. Em sentido contrário, houve retração de 25,1% no Sul e de 35,2% no Norte.
Nas vendas, o desempenho foi positivo em todas as regiões na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025. O Centro-Oeste apresentou a maior expansão, de 27,7%, seguido pelo Norte, com 15%, Nordeste, com 13,6%, Sudeste, com 1,3%, e Sul, com 0,2%.
Outro destaque dos dados apresentados pela CBIC é o desempenho do financiamento imobiliário pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que registrou avanços no primeiro semestre de 2026. Nas operações destinadas à aquisição de imóveis, as concessões alcançaram R$ 67,2 bilhões, crescimento de 12% frente aos R$ 60,1 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025.
No financiamento à construção, o avanço foi ainda mais expressivo. As concessões passaram de R$ 12,8 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 26,5 bilhões no mesmo período de 2026, crescimento de 107%.
Um dos principais destaques do período foi o desempenho do Minha Casa, Minha Vida. O programa respondeu por 58% de todos os imóveis residenciais lançados no país no segundo trimestre de 2026, maior participação do programa nos lançamentos desde o início da série histórica, em 2019.
Foram 62.129 unidades lançadas, ante 45.032 unidades dos demais padrões. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, os lançamentos vinculados ao programa cresceram 19,9%. Nos três primeiros meses de 2026, o Minha Casa, Minha Vida representava 50% dos lançamentos.
A participação do programa também revela diferenças importantes entre as regiões. No segundo trimestre deste ano, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 68% dos lançamentos no Norte, 66% no Sudeste, 60% no Nordeste e 52% no Centro-Oeste. No Sul, a participação foi menor, de 29%.
Das 113.676 unidades vendidas no segundo trimestre de 2026, 58.392 estavam enquadradas no Minha Casa, o equivalente a 51% do total. O resultado representa crescimento de 5% em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando as vendas do programa somaram 55.596 unidades.
O Valor Geral de Lançamentos (VGL) somou R$ 62,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta em relação aos R$ 61,4 bilhões dos três primeiros meses deste ano, mas queda de 23,1% na comparação com o segundo trimestre de 2025. Já o Valor Geral de Vendas (VGV) ficou em R$ 66,2 bilhões entre abril e junho deste ano, praticamente estável frente ao primeiro trimestre de 2026, mas 5,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. O tíquete médio dos imóveis vendidos ficou em R$ 581,9 mil, redução de 1% frente ao trimestre anterior e de 10,3% na comparação anual.
Oferta de imóveis recua 2,1% no segundo trimestre
Ao final do segundo trimestre de 2026, havia 355.290 imóveis residenciais novos disponíveis para comercialização no país, redução de 2,1% em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando a oferta era de 362.953 unidades. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, entretanto, a oferta ficou 8,2% maior.
A redução da oferta ocorreu na maior parte das regiões na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026. O volume caiu 9% no Norte, 6,5% no Centro-Oeste, 5,1% no Sul e 3,3% no Nordeste. O Sudeste foi a exceção, com crescimento de 1,1%.
Na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025, o quadro é diferente. A oferta disponível aumentou 17,8% no Sudeste e 13,1% no Centro-Oeste. No Sul, a alta foi de 0,6%, enquanto o Nordeste apresentou recuo de 0,4%. No Norte, a redução chegou a 15,8%.
O Minha Casa, Minha Vida encerrou o segundo trimestre deste ano com 137.151 unidades disponíveis, crescimento de 2,9% sobre o primeiro trimestre de 2026.
Os imóveis de dois dormitórios concentraram 65,2% das unidades residenciais vendidas no segundo trimestre deste ano, mantendo-se como a principal tipologia comercializada no país. Na sequência aparecem os imóveis de um dormitório, com 23,1% das vendas, os de três dormitórios, com 10%, e os de quatro dormitórios, com 1,8%.
Ao mesmo tempo, as unidades de um dormitório vêm ganhando espaço no mercado, movimento associado também às mudanças no perfil das famílias e dos compradores.
A demanda também se reflete na disposição das famílias para adquirir um imóvel. No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados declararam intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses, três pontos percentuais acima dos 49% registrados no mesmo período de 2025.
Entre os entrevistados, 38% pretendem comprar, mas ainda não começaram a procurar um imóvel; 10% já realizam buscas pela internet; e 4% já visitam imóveis. Outros 48% afirmaram não ter intenção de compra no período.
Entre as principais motivações para a aquisição, sair do aluguel aparece em primeiro lugar, com 37% das respostas. Em seguida estão sair da casa dos pais, com 15%; buscar mais espaço, com 14%; adquirir um imóvel para locação, com 12%; e mudança de localidade, com 9%.