Minha Casa, Minha Vida sustenta otimismo do mercado imobiliário, aponta BTG

em Melhor Investimento, 24/janeiro

O BTG Pactual avalia que o Minha Casa, Minha Vida seguirá como principal motor do mercado imobiliário em 2026.

O Minha Casa, Minha Vida segue como o principal pilar de sustentação do otimismo do mercado imobiliário brasileiro, segundo avaliação do BTG Pactual. Em relatório divulgado recentemente, o banco afirma que o programa habitacional deve continuar impulsionando o setor de construção civil em 2026, especialmente entre as companhias focadas na baixa renda, mesmo em um cenário macroeconômico ainda marcado por juros elevados.

A análise considera o desempenho operacional das construtoras ao longo de 2025, os dados mais recentes do quarto trimestre do ano e as perspectivas para os próximos meses. Para o BTG, a combinação entre demanda aquecida, financiamento abundante via FGTS e possíveis ajustes nas regras do programa cria um ambiente favorável para a manutenção de margens elevadas e retornos consistentes.

De acordo com o BTG, o Minha Casa, Minha Vida permanece como prioridade dentro da política habitacional do governo federal. Esse status garante previsibilidade de recursos, sobretudo por meio do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e reduz a exposição das construtoras de baixa renda às oscilações do crédito tradicional.

Como resultado, o banco observa que as empresas desse segmento conseguiram expandir suas operações de forma equilibrada ao longo de 2025. A demanda permaneceu sólida, sustentada pelas condições favoráveis de financiamento, enquanto o controle de estoques ajudou a preservar a rentabilidade dos projetos.

Segundo o relatório, os lançamentos das construtoras voltadas ao Minha Casa, Minha Vida cresceram cerca de 15% em comparação com 2024. A velocidade de vendas atingiu 53%, patamar considerado elevado e significativamente superior ao observado nos segmentos de média e alta renda.

Além disso, os estoques ficaram em níveis baixos, equivalentes a aproximadamente nove meses de vendas. Esse indicador é visto pelo BTG como positivo, pois permite maior giro de capital e reduz riscos associados à desaceleração da demanda.

Desempenho do setor reforça otimismo do mercado imobiliário

O bom desempenho do segmento de baixa renda contrasta com um cenário mais desafiador para as construtoras focadas em imóveis de média e alta renda. Ainda assim, o BTG destaca que, mesmo nesse ambiente, os números operacionais permaneceram resilientes ao longo de 2025.

Entre as companhias listadas em bolsa, os lançamentos avançaram cerca de 35% na comparação anual, enquanto as vendas líquidas cresceram 6%. A velocidade de vendas ficou em 43% no ano, nível considerado saudável, embora inferior ao registrado em 2024.

Segundo o banco, esse comportamento revela um perfil misto do mercado: os novos lançamentos continuam apresentando boa absorção, enquanto as vendas de estoque começaram a mostrar sinais de desaceleração, especialmente no segundo semestre de 2025.

Essa tendência leva o BTG a recomendar uma postura mais seletiva no segmento de média e alta renda para 2026, com maior atenção à gestão de estoques e à precificação dos empreendimentos.

Números do 4T25 mostram diferenças entre os segmentos

A análise do quarto trimestre de 2025 (4T25) reforça a leitura de que o Minha Casa, Minha Vida segue mais protegido das pressões macroeconômicas. No período, o BTG identificou oscilações nos indicadores operacionais das construtoras, com desaceleração generalizada da velocidade de vendas e aumento de estoques entre as empresas de média e alta renda.

Já no segmento de baixa renda, o desempenho permaneceu saudável, apesar de quedas pontuais na velocidade de vendas. Para o banco, esses ajustes são naturais após um ano de forte crescimento e não comprometem a tese positiva para o setor.

O relatório também destaca que a previsibilidade do financiamento no Minha Casa, Minha Vida reduz riscos e aumenta a visibilidade dos resultados, fator relevante em um ambiente de juros ainda elevados.

Construtoras em destaque segundo o BTG

Entre os destaques citados pelo BTG, a Eztec (EZTC3) aparece como referência no segmento de média e alta renda, enquanto a Plano&Plano (PLPL3) se sobressai na baixa renda. No acumulado de 2025, o banco também elogiou a performance da Cury (CURY3), uma das principais beneficiárias do Minha Casa, Minha Vida.

Segundo a instituição, essas empresas conseguiram alinhar crescimento, disciplina financeira e eficiência operacional, o que reforça o otimismo do mercado imobiliário para 2026, especialmente no segmento popular.

Perspectivas para 2026

Para o BTG, o cenário à frente segue construtivo, desde que o arcabouço do Minha Casa, Minha Vida seja mantido e que o orçamento do FGTS continue robusto. O banco avalia que esses fatores são essenciais para sustentar margens, retornos e a confiança dos investidores no setor.

Nesse contexto, o mercado imobiliário deve continuar apresentando desempenho desigual entre os segmentos, com clara vantagem para as construtoras focadas em baixa renda. A expectativa é de que o programa habitacional siga como o principal amortecedor contra os efeitos de um ambiente macroeconômico ainda restritivo.


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