Preço dos imóveis residenciais sobe 0,93% em fevereiro e acumula alta de 19,70% em 12 meses, aponta IGMI-R Abecip

em Enquanto isso em Goiás, 30/março

Valorização segue disseminada no país, apesar de desaceleração no ritmo mensal; sete das dez capitais registram desempenho superior ao de 2025.

O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), desenvolvido pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) em parceria com o FGV IBRE, registrou alta de 0,93% em fevereiro de 2026, desacelerando em relação ao avanço de 1,27% observado em janeiro. Apesar da perda de fôlego no mês, o indicador mantém a trajetória de valorização dos imóveis residenciais no país.

No acumulado de 12 meses, o índice passou de 19,67% para 19,70%, reforçando a continuidade do ciclo de crescimento dos preços no mercado imobiliário brasileiro.

O resultado de fevereiro também se destaca no histórico recente. No primeiro bimestre do ano, o IGMI-R acumula alta de 2,21%, configurando a segunda maior variação para o período desde 2016, atrás apenas de 2024.

Desaceleração é limitada e não disseminada

A leitura regional do índice indica que a desaceleração observada em fevereiro ainda é restrita. Apenas quatro das dez capitais monitoradas apresentaram variações menores do que em janeiro, o que sugere uma perda de ritmo ainda moderada na valorização mensal.

A maior parte das capitais registrou aceleração nos preços, com destaque para:

  • Goiânia, com alta de 2,54%, após 0,84% em janeiro;
  • Salvador, que avançou de 0,90% para 1,65%;
  • Fortaleza, que passou de queda de -0,17% para alta de 0,67%;
  • Rio de Janeiro, com avanço de 0,02% para 0,69%;
  • Belo Horizonte, de 0,33% para 0,62%;
  • Curitiba registrou leve aceleração, de 1,03% para 1,07%.

Por outro lado, a desaceleração do índice nacional foi puxada por quatro capitais, distribuídas em diferentes regiões do país:

  • São Paulo (1,99% para 0,60%);
  • Recife (3,84% para 1,00%);
  • Porto Alegre (1,90% para 1,18%);
  • Brasília (1,68% para 1,11%).

Valorização se mantém disseminada e consistente

O desempenho do IGMI-R em fevereiro indica avanço consistente dos preços residenciais. Em sete das dez capitais analisadas as variações superaram aquelas registradas no mesmo período de 2025, apontando para uma valorização mais disseminada e persistente no mercado imobiliário urbano.

No acumulado de 12 meses, o índice evidencia um mercado ainda aquecido, especialmente em grandes centros urbanos, com ganhos patrimoniais relevantes para os ativos residenciais.

Preços sobem acima do custo da construção e da inflação

A comparação com outros indicadores reforça a dinâmica própria dos preços imobiliários no país. Em 12 meses, o IGMI-R registra alta de 19,70%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avança 6,10% no mesmo período.

O descolamento indica que a valorização dos imóveis não está diretamente associada aos custos de construção, mas sim a fatores estruturais, como oferta limitada, demanda consistente e recomposição da renda das famílias.

Em relação à inflação ao consumidor, a diferença também é significativa. O IPCA acumulou 3,81% em 12 meses, reforçando que os preços dos imóveis seguem uma dinâmica própria no mercado brasileiro.

Mercado de locação apresenta comportamento distinto

Enquanto os preços de compra e venda mantêm trajetória de valorização, o mercado de locação apresenta evolução mais moderada.

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) registrou alta de 4,05% em 12 meses, indicando reajustes mais alinhados à renda das famílias e às condições do mercado de trabalho.

Esse comportamento sugere uma dinâmica distinta entre os segmentos do mercado imobiliário, com os preços dos ativos sendo mais influenciados por fatores estruturais, enquanto os aluguéis permanecem condicionados à capacidade de pagamento dos locatários.

Perspectivas indicam continuidade do ciclo de valorização

As projeções da Abecip indicam que o crédito imobiliário deve crescer cerca de 16% em 2026, refletindo um ambiente ainda favorável para o setor.

O conjunto dos indicadores aponta para um mercado imobiliário em fase de maior maturidade, no qual a valorização dos imóveis se mantém sustentada por fundamentos de oferta e demanda, com menor sensibilidade às pressões de custo.

Nesse contexto, os dados de fevereiro reforçam a continuidade de um ciclo de valorização dos imóveis residenciais no país, mesmo diante de um ambiente macroeconômico ainda desafiador.

Metodologia

O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) é calculado pela Abecip em parceria com o FGV IBRE.

O indicador mede a variação dos preços de imóveis residenciais financiados com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com base em dados efetivos de financiamentos concedidos pelas instituições financeiras.

O índice acompanha mensalmente o comportamento dos preços em dez capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia e Brasília.

Acesse o boletim completo de dezembro no site da ABECIP.

Sobre a Abecip

Fundada em 1967, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança congrega instituições financeiras que atuam no financiamento imobiliário e no crédito com garantia de imóveis, trabalhando para o desenvolvimento sustentável desses mercados e para o aprimoramento das condições de acesso à moradia no país.


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