Os projetos de retrofit no Centro de São Paulo deixaram de ser uma tese restrita a operadores especializados e começam a atrair construtoras tradicionais, síndicos e proprietários de edifícios subutilizados. Levantamento da DataLello noticiado pelo Valor identificou 774 prédios na região do Requalifica Centro com potencial para receber incentivos. Até março, segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, 49 edifícios haviam sido selecionados como possíveis beneficiários, sinal de que a agenda ainda está no início.
Subvenção ajuda a fechar a conta
Dois mecanismos explicam a tração recente do mercado imobiliário no Centro da capital paulista: o Requalifica Centro, com isenção de impostos e taxas, e a subvenção de reformas, que pode pagar até 25% do custo da obra.
Para desenvolvedores, esses incentivos reduzem a diferença de retorno entre o retrofit e uma nova incorporação. A Ilion aprovou o Anhumas, com 94 unidades e benefício de 18,75%, equivalente a R$ 1,44 milhão. A Somaúma recebeu 11% de subvenção no edifício Virgínia, com R$ 2,37 milhões já pagos.
Sustentabilidade não basta sem rentabilidade
A tese do retrofit combina menor consumo de materiais, redução de impacto ambiental, prazo de obra potencialmente mais curto e reativação de edifícios abandonados ou subaproveitados. Ainda assim, os executivos do setor enfatizam que a camada ESG só se sustenta se a rentabilidade for competitiva. Executivos da Somaúma e da Ilion avaliam que sustentabilidade ajuda, mas só destrava capital quando há retorno competitivo, liquidez e transparência de preços.
Uso dos imóveis será o ponto sensível
O avanço do retrofit também abre debate sobre o destino final das unidades. Urbanistas ouvidos pelo jornal alertam para o risco de projetos incentivados com recursos públicos entregarem pouca habitação social ou migrarem para locação de temporada, reduzindo o impacto sobre moradia permanente no Centro.
Requalificar prédios vazios ajuda a usar infraestrutura existente e aproximar moradia de emprego e transporte. Sem critérios de ocupação, preço e permanência, o incentivo pode valorizar ativos sem ampliar o estoque acessível.