Durante décadas, a Candelária foi sinônimo de negócios no Rio. Entre os anos 60 e 70, a região se firmou como endereço da sede grandes bancos e empresas ligadas ao mercado financeiro da antiga capital federal. Agora, sem perder de vez essa vocação, o entorno da igreja que dá nome ao “quadrilátero” começa a ganhar um novo perfil: o residencial.
A transformação, ainda no começo, já movimenta incorporadoras, gestoras e proprietários. O estoque de edifícios antigos e subutilizados, somado à localização estratégica e aos preços competitivos em relação à Zona Sul, criou uma nova frente de oportunidades para o mercado, e o retrofit aparece como um dos principais caminhos.
A Fator Realty é um dos grupos que aposta nessa tese. A empresa, que já desenvolve, em parceria com a CIX Capital, um projeto residencial no Edifício João Ursulo Ribeiro Coutinho, prédio modernista projetado por Lúcio Costa, prevê investir outros R$ 200 milhões em novas oportunidades na área.“Já estamos em negociações com novas oportunidades, principalmente em áreas próximas à Candelária, acreditando no potencial do Centro como um bairro residencial vibrante e permanente”, afirma Vasco Rodrigues, CEO do Grupo Fator, à coluna Capital.
O otimismo tem uma boa justificativa. O Brise Studios Design, como foi batizado pelas empresas, surpreendeu pela velocidade das vendas. Em outubro do ano passado, como mostrou o DIÁRIO DO RIO, 90% das 154 unidades foram vendidas em apenas duas horas após o lançamento. O empreendimento, já em obras de conversão, ocupa um edifício de 11 andares, vendido pela gestora São Carlos, e terá apartamentos de até 44 metros quadrados.
A dupla já vem mapeando, desde o ano passado, edifícios na região. Segundo informações obtidas pela redação do DDR, nove imóveis já foram estudados pelas empresas.
A “Zona Sul” do Centro
Não por acaso, alguns agentes do mercado já apelidaram o entorno da Candelária de “Zona Sul do Centro”. A comparação leva em conta a localização privilegiada, a proximidade com a própria Zona Sul e a percepção de que o trecho pode se tornar um dos endereços residenciais mais valorizados do bairro. O Brise, por exemplo, vendeu suas unidades a um preço médio de R$ 420 mil, um dos mais altos praticados em novos residenciais da região, que, segundo o Secovi Rio, teve o preço médio do metro quadrado residencial subindo quase 10% entre janeiro e julho deste ano.
Bem perto do próprio João Ursulo, conforme o DDR noticiou em primeira mão, vai até setembro o leilão do antigo prédio da Petrobras, primeira sede da estatal na cidade. O lance mínimo é de R$ 14,3 milhões. A primeira tentativa, em 2021, não vingou. Agora, o mercado parece olhar diferente para o ativo de 12 andares e 7 mil metros quadrados.
“Tendo em vista o grande volume de vendas de edifícios na região, esse é um negócio que tem grandes chances de acontecer, porque o prédio está num valor considerado de mercado, numa localização muito boa e que está sendo cada vez mais querida por aqueles que buscam fazer empreendimentos residenciais no Centro”, afirmou Lucy Dobbin, superintendente da Sérgio Castro Imóveis, maior corretora da região.