Aluguel em alta e Reforma Tributária ampliam espaço para holdings imobiliárias

em Portas / Análise & Opinião, 23/maio

O mercado de locação brasileiro vive um dos momentos mais positivos dos últimos anos, mas o avanço da Reforma Tributária começa a mudar a forma como investidores de alta renda precisarão estruturar seu patrimônio imobiliário. A combinação desses dois fatores pode abrir uma nova frente de negócios para imobiliárias e corretores que consigam atuar de forma mais consultiva.

A discussão ganhou força nesta semana em reportagem publicada pelo InvestNews, na terça-feira, sob o título “Renda de aluguel vai a bons +IPCA+5%, mas a reforma tributária deve frear os ganhos no futuro”. A matéria mostra como a forte valorização dos aluguéis no Brasil começa a conviver com uma preocupação crescente sobre os impactos tributários para investidores pessoa física.

O cenário atual continua extremamente favorável para quem possui imóveis para renda. O índice FipeZAP acumula alta próxima de 9,5% nos preços de locação, mais do que o dobro da inflação no período. Ao mesmo tempo, os yields seguem atrativos, girando em torno de 6,3% ao ano no residencial e acima de 7% em imóveis comerciais.

Na prática, o aluguel voltou a ocupar posição de destaque na estratégia patrimonial de investidores de alta renda. Mas justamente nesse momento positivo surge o alerta: a Reforma Tributária tende a reduzir a eficiência de operações mantidas exclusivamente no CPF, especialmente para proprietários com múltiplos imóveis e receitas recorrentes mais elevadas.

É nesse contexto que as holdings imobiliárias começam a ganhar protagonismo.

Estruturas organizadas em pessoa jurídica, especialmente sob o regime de lucro presumido, passam a ser vistas como uma alternativa mais eficiente para preservação da rentabilidade do patrimônio. Em muitos casos, a tributação sobre receitas de locação pode ficar significativamente menor do que na pessoa física, compensando inclusive parte dos impactos futuros da CBS e do IBS.

Mais do que uma mudança tributária, isso representa uma mudança de posicionamento para o mercado imobiliário.

As imobiliárias que continuarem focadas apenas em localização, metragem e rentabilidade provavelmente perderão espaço competitivo. Já aquelas que conseguirem atuar como consultoras patrimoniais tendem a fortalecer relacionamento justamente com o público mais valioso do setor: os proprietários com múltiplos ativos.

Esse movimento exige uma atuação mais sofisticada. Parcerias jurídicas, contábeis e tributárias passam a fazer parte do ecossistema comercial das imobiliárias que desejam crescer no segmento de alta renda. O investidor começa a buscar não apenas administração do imóvel, mas orientação sobre eficiência tributária, estruturação societária e proteção patrimonial.

E existe um ponto estratégico importante nisso tudo: no mercado imobiliário, o maior ativo da imobiliária costuma ser o proprietário — muito mais do que o imóvel em si.

Quem conseguir ajudar esse cliente a proteger rentabilidade em um ambiente tributário mais complexo tende a construir relações mais duradouras, ampliar carteira administrada e gerar novas receitas recorrentes.

O mais importante é que o mercado de locação segue extremamente aquecido, mas o ambiente tributário exigirá cada vez mais profissionalização. E isso cria uma oportunidade importante para imobiliárias que souberem evoluir de intermediadoras para parceiras estratégicas de gestão patrimonial.


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