Brasil está no top 10 entre os países com mais prédios sustentáveis no mundo

em Revista Kdea360, 21/março

O mercado da construção civil brasileiro tem passado por mudanças para atender às metas globais de preservação. De acordo com o Conselho de Edifícios Verdes dos Estados Unidos (US Green Building Council), o país ocupa a 9ª posição no ranking mundial de edificações sustentáveis (2024). Com mais de 530 projetos certificados pelo selo LEED, lidera o setor na América Latina. Além do ganho ambiental, a estratégia também traz retorno financeiro. Um estudo da Universidade de Harvard mostra que prédios inteligentes geraram US$ 6 bilhões em economia com saúde e redução de danos climáticos.

Em Minas Gerais, o cenário não é diferente. O estado se destaca pelo avanço das edificações sustentáveis e ocupa a 4ª posição nacional em números totais de empreendimentos finalizados e certificados, de acordo com o Green Building Council Brasil (GBC Brasil), ficando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Um dos exemplos da força do estado são empresas como o Grupo EPO, a Somattos Engenharia e a Emccamp Residencial, com projetos que unem inovação e preservação.

Segundo o vice-presidente da área das Incorporadoras da CMI/Secovi-MG (Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais), Fabiano Barbosa Ambrósio, as incorporadoras mineiras evoluíram de maneira consistente na pauta de sustentabilidade. "Hoje já é comum encontrar projetos com soluções, como eficiência energética, redução de consumo de água com sistemas de reuso, uso de iluminação e ventilação naturais, além da busca pelas principais certificações e selos de construção sustentável", explica.

O especialista define que as práticas sustentáveis têm um impacto ainda maior ao serem integradas desde a concepção dos projetos. "Quando a sustentabilidade entra desde o início, os ganhos são concretos: reduções relevantes no consumo de energia e água ao longo da operação, menor custo condominial, maior conforto térmico e melhor desempenho do edifício. Isso se traduz diretamente em valor, tanto na percepção do cliente quanto na velocidade de vendas e na valorização do ativo", destaca Ambrósio.

Integração com a natureza e inovação técnica

A Construtora EPO, especializada em imóveis de alto padrão, é referência na união de inovação e alta tecnologia em projetos que respeitam o meio ambiente e as pessoas. A empresa foca na integração entre o ambiente urbano e a natureza e acredita que a construção deve dialogar com o entorno, transformando a paisagem de forma consciente e funcional para os moradores.

No residencial Botânico, situado no Vale do Sereno, em Nova Lima, a EPO materializou esse conceito em parceria com o escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados. O projeto elimina barreiras físicas tradicionais para priorizar a conexão sensorial com a mata. "Criamos um empreendimento sem muros, fluido e integrado à cidade. Ele reafirma nosso compromisso com a sustentabilidade ao promover um estilo de vida conectado ao ecossistema local", destaca Guilherme Santos, diretor da EPO. O design estratégico favorece a ventilação cruzada e a iluminação natural, reduzindo a dependência de climatização artificial.

Já no edifício Jardim, no bairro Cidade Jardim, a sustentabilidade orienta cada decisão técnica. O projeto utiliza o aço XCarb®, da ArcelorMittal, fabricado com 100% de matéria-prima reciclada e energia renovável. Essa escolha resultará na redução de 319 toneladas de emissões de gases de efeito estufa.

O compromisso ambiental se estende ao paisagismo de Ricardo Cardim, composto exclusivamente por espécies nativas para recuperar a biodiversidade urbana e eliminar o desperdício de água. Do total do terreno, cerca de 5,4 mil metros quadrados são destinados a áreas verdes, preservando o microclima e a permeabilidade do solo na região.

Certificação global

No ano em que celebra cinquenta anos de atuação como referência no mercado de alto padrão, a Somattos Engenharia alcança um novo patamar técnico com o residencial Aura. Localizado no Vila da Serra, em Nova Lima, o empreendimento conquistou recentemente a certificação EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies), concedida pela International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial.

O selo é um reconhecimento ao projeto que atingiu reduções superiores a 20% no consumo de energia e água, além de utilizar materiais com menor energia incorporada em sua produção. No Aura, o desempenho técnico superou os critérios mínimos estabelecidos pela auditoria global.

“A conquista desse selo foi possível por meio de um diagnóstico técnico aprofundado, reengenharia de soluções construtivas e otimização de sistemas. O resultado é um projeto que combina conforto e valorização imobiliária a um menor impacto ambiental, alinhado às melhores práticas globais”, comenta Bárbara Valenzuela, coordenadora de projeto executivo da Somattos. O reconhecimento valida o rigor da construtora na entrega de obras com alta eficiência operacional.

Sustentabilidade e impacto social

A Emccamp Residencial tem estruturado sua atuação em sustentabilidade a partir de práticas que integram gestão ambiental, inovação nos canteiros de obras e relacionamento com as comunidades do entorno. A empresa já conquistou o Selo Casa Azul, certificação que reconhece iniciativas voltadas à sustentabilidade, eficiência energética e responsabilidade social, garantindo maior qualidade, economia e respeito ao meio ambiente, com foco especial na gestão de água e energia.

A companhia adota medidas como substituição de madeira por formas de concreto, uso de materiais reciclados, implantação de sistemas de reaproveitamento de água da chuva nos empreendimentos, além de exigir regularidade ambiental de fornecedores. Essas iniciativas são acompanhadas de ações educativas e de conscientização ambiental com moradores e colaboradores, reforçando uma cultura de responsabilidade socioambiental em todas as etapas dos projetos.

Esse compromisso também se reflete em iniciativas de maior escala, como o plantio de milhares de árvores nativas, investimentos em eficiência operacional e redução de impactos, além de projetos de revitalização urbana e apoio social. Para o Coordenador de Meio Ambiente da Emccamp, Diego Pascoal, a sustentabilidade é um valor central da organização. “A sustentabilidade não está apenas em nossos canteiros de obras, mas se estende à forma como planejamos nossos produtos, gerimos recursos e lidamos com a comunidade e o entorno”.

Outro ponto de destaque é a incorporação de soluções sustentáveis nos próprios empreendimentos, como implantação de projetos com desempenho sustentáveis, áreas permeáveis, hortas comunitárias, coleta seletiva e estações de tratamento de esgoto em regiões sem infraestrutura pública. A empresa também tem avançado na redução de emissões com iniciativas como a adoção de frota movida a etanol e a digitalização de processos, diminuindo o uso de papel. Essas práticas demonstram como a sustentabilidade está integrada à estratégia de negócio, aliando inovação, eficiência e menor impacto ambiental.

Para Diego, esse movimento vai além do presente e tem foco nas próximas gerações. “O que fazemos hoje, com responsabilidade, garante qualidade de vida e respeito ambiental para o futuro”. A fala reforça o posicionamento da Emccamp em linha com as diretrizes ESG e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), evidenciando o papel do setor da construção civil na promoção de cidades mais sustentáveis e resilientes.

Planejamento e estratégia

Para o arquiteto e urbanista, Alexandre Nagazawa, diretor da BLOC Arquitetura Imobiliária, a construção civil brasileira tem evoluído significativamente em relação à sustentabilidade. O tema deixou de ser apenas um diferencial e passou a fazer parte das discussões estratégicas do setor. Segundo o especialista, o mercado agora foca em resultados práticos, como o melhor desempenho térmico das edificações e o uso de energia solar.

"Hoje já observamos avanços importantes, como projetos com melhor desempenho energético, maior uso de energia solar e certificações ambientais. Existe uma atenção crescente à gestão da água, dos resíduos e uma preocupação real com o conforto ambiental e a qualidade de vida de quem ocupa os espaços", afirma.
Nagazawa explica que a eficiência de um prédio, que complementa o uso de materiais sustentáveis e a gestão de resíduos das construtoras, começa no desenho da torre. “Ao planejar a posição do edifício para aproveitar o sol e o vento, o projetista reduz a necessidade de luz artificial e de ar-condicionado. As decisões tomadas hoje nos canteiros de obras definem a qualidade e a resiliência da cidade nas próximas décadas”, analisa.

O diretor da BLOC destaca ainda que o edifício precisa dialogar com a rua e com o entorno. “Critérios como a proximidade com o transporte público e o estímulo ao uso misto do solo são vitais, pois diminuem a dependência de carros e permitem que as pessoas resolvam a vida a pé. Essa integração urbana é um dos pilares modernos da sustentabilidade”, conclui.


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