Niterói se consolida como um dos mercados imobiliários mais valorizados do país e atrai nova onda de investimentos

em Diário do Rio / mercado Imobiliário, 23/junho

Niterói registrou alta de 13,7% no preço dos imóveis em um ano, com forte demanda por unidades de alto padrão, escassez de terrenos e crescimento no mercado de locação.

Com alta de 13,7% no preço dos imóveis em um ano, cidade combina renda elevada, escassez de terrenos e forte demanda real, consolidando-se como um dos mercados mais sólidos do eixo Rio–São Paulo

Enquanto diversas cidades brasileiras ainda enfrentam oscilações no mercado imobiliário, Niterói segue na direção oposta. Dados divulgados pela SPIN Imóveis apontam que o município encerrou o primeiro trimestre de 2026 com valorização média de 13,7% nos imóveis residenciais verticais, reforçando sua posição como um dos mercados mais resilientes e disputados do país.

O preço médio do metro quadrado na cidade chegou a R$ 11.690, contra R$ 10.279 registrados no mesmo período do ano passado. Quando excluído o segmento econômico, o valor sobe para R$ 12.118 por metro quadrado, com crescimento de 14,4% em doze meses.

Segundo o levantamento, o movimento é impulsionado principalmente pelos imóveis de maior padrão. Os apartamentos de três quartos lideraram a valorização, com alta de 22,5% em um ano, seguidos pelos de quatro quartos, que avançaram 16,9%.

Para especialistas do setor, três fatores explicam esse desempenho: a elevada renda dos moradores, a escassez de terrenos nas áreas mais valorizadas e uma característica considerada fundamental — a predominância da demanda de compradores finais, e não de investidores especulativos. Atualmente, 72,3% das unidades lançadas em Niterói já foram comercializadas.

A cidade também apresenta a maior renda familiar média entre os municípios analisados no estudo, alcançando R$ 13.049 mensais, acima da média da capital fluminense, estimada em R$ 10.619.

Regiões Sul e Oceânica concentram os lançamentos mais disputados

O levantamento mostra que o mercado de alto padrão se divide hoje entre duas regiões com características distintas.

A Região Sul, formada por bairros como Icaraí, Ingá, São Francisco e Charitas, continua sendo o principal polo imobiliário da cidade. Dos 82 empreendimentos verticais atualmente em comercialização em Niterói, 42 estão localizados nessa área. Ali, os imóveis de luxo chegam a ser negociados por R$ 19.620 por metro quadrado.

Já a Região Oceânica, especialmente em bairros como Piratininga, Camboinhas e Itaipu, tornou-se a principal frente de expansão premium do município. É nessa região que estão os maiores valores do mercado local: empreendimentos classificados como super luxo alcançam R$ 20.224 por metro quadrado.

O segmento super luxo, aliás, permanece extremamente restrito. Segundo a pesquisa, existem apenas dois empreendimentos dessa categoria em toda a cidade, com ticket médio de R$ 4,4 milhões e índice de absorção de 95,3%, evidenciando a forte procura por produtos exclusivos.

Mercado de locação vive escassez de oferta

Se a compra de imóveis vive um momento aquecido, a locação segue o mesmo caminho.

De acordo com os dados apresentados, há uma demanda crescente por apartamentos compactos e modernos, especialmente studios e unidades de um ou dois quartos com varanda e áreas de lazer, mas a oferta disponível não acompanha esse crescimento.

O resultado aparece diretamente nos preços. Dados do SECOVI Rio apontam que o aluguel residencial em Niterói passou de R$ 30,49 para R$ 40,08 por metro quadrado em apenas doze meses, uma valorização próxima de 31%.

A escassez é mais evidente na Zona Sul da cidade, onde imóveis bem localizados e em boas condições costumam ser alugados rapidamente.

Tecnologia passa a influenciar decisão de compra

Outro aspecto destacado pelo estudo é a crescente importância da tecnologia embarcada nos empreendimentos.

Itens como automação residencial, iluminação inteligente, infraestrutura para casas conectadas e soluções de eficiência energética deixaram de ser diferenciais exclusivos dos imóveis de luxo e passaram a influenciar diretamente a decisão de compra de consumidores de médio e alto padrão.

Segundo a análise, o comprador niteroiense, caracterizado por maior renda e elevado grau de informação, passou a considerar esses recursos parte do padrão esperado dos novos empreendimentos.

Compactos ganham espaço e mudam perfil dos lançamentos

A pesquisa também aponta uma transformação importante no desenho dos novos projetos imobiliários.

Em apenas um ano, a participação dos imóveis compactos na oferta da cidade saltou de 12,6% para 32%. A tendência reflete mudanças nos hábitos das famílias e a busca por plantas mais inteligentes, flexíveis e adaptadas ao trabalho remoto.

A expectativa do setor é que os próximos empreendimentos apostem cada vez mais em integração entre áreas internas e externas, aproveitamento das vistas privilegiadas da cidade, eficiência energética e espaços compartilhados voltados ao bem-estar dos moradores.

Com mais de 35 novos empreendimentos previstos para serem lançados ainda em 2026, Niterói segue consolidando sua posição como um dos mercados imobiliários mais fortes do Brasil, beneficiada por uma combinação rara de renda elevada, oferta limitada de terrenos e qualidade urbana que continua atraindo compradores e investidores.


Ver online: Diário do Rio / mercado Imobiliário