Potencial construtivo: Centro de Vitória pode usar mercado imobiliário para voltar a crescer

em Folha Vitória / Economia, 19/junho

Vitória tem um problema que também pode virar oportunidade. A cidade quer crescer, o mercado imobiliário tem demanda, porém a capital tem pouco espaço livre para novos empreendimentos. Como Vitória é uma ilha, a expansão urbana tem limite físico. Por isso, a discussão aberta pela prefeitura sobre a venda e a transferência do potencial construtivo pode ser uma das medidas mais importantes para destravar o futuro da cidade.

A discussão, capitaneada pelo secretário Desenvolvimento da Cidade e Habitação, Tullio Ponzi Netto, já está em andamento. Nos próximos dois meses, medidas concretas devem começar em áreas prioritárias. Uma delas, a primeira, o Parque Moscoso.

O potencial construtivo é, na prática, o direito de construir mais em uma área, dentro das regras do Plano Diretor. A prefeitura pode permitir que esse direito saia de um imóvel e vá para outro, desde que exista interesse público e planejamento urbano. Com isso, um prédio antigo, um imóvel subutilizado ou uma área que precisa de recuperação pode gerar valor para outro projeto. A cidade, por sua vez, usa esse mecanismo para estimular investimentos em regiões estratégicas.

No caso de Vitória, o foco inicial está no Centro. A região tem infraestrutura pronta, localização privilegiada, comércio, serviços, memória afetiva e muitos imóveis vazios ou mal aproveitados. Além disso, o Centro já concentra equipamentos públicos e privados que podem puxar um novo ciclo de ocupação. Portanto, a questão central não é apenas recuperar fachadas ou atrair visitantes nos fins de semana. O desafio é trazer moradores, empresas, serviços e movimento diário.

O Centro como nova frente de desenvolvimento

O secretário de Desenvolvimento da Cidade e Habitação de Vitória, Tullio Ponzi Netto, aponta exatamente esse caminho. A prefeitura estuda áreas entre a Jerônimo Monteiro e a região da Santa Casa. A ideia é definir quais imóveis nesse espaço podem transferir potencial construtivo e quais áreas podem receber novos projetos.

O objetivo não é meramente fazer do Centro de Vitória um ambiente de turismo no final de semana. O que a gente quer ali realmente é fazer um readensamento inteligente do Centro
Tullio Ponzi Netto, secretário de Desenvolvimento da Cidade e Habitação de Vitória

Esse ponto muda a discussão. O Centro não precisa apenas de reforma urbana. Precisa de uma nova lógica econômica. Se a Prefeitura combinar a venda do potencial construtivo com obras públicas, licenciamento mais ágil, retrofit, habitação e atração ativa de
o tema na agenda de Vitória, no entanto defende debate com o mercado e com a sociedade. A preocupação principal envolve mobilidade, impacto urbano e segurança jurídica. Ainda assim, ele reconhece a força da construção civil como motor econômico.

A construção civil sempre foi um indutor de progresso. Se isso for feito de forma ordenada, bem planejada e bem discutida, tem um bom potencial.
José Renato Almeida, diretor da Assevix

A venda do potencial construtivo não resolve sozinha a degradação do Centro. No entanto, ela pode criar a ponte entre o interesse privado e a necessidade pública. Vitória precisa crescer sem empurrar a cidade para além dos seus limites. Também precisa ocupar melhor áreas que já têm infraestrutura. Se a Prefeitura definir regras claras, ouvir o empresariado e proteger a qualidade urbana, o Centro pode deixar de ser tratado como passado e passar a representar a próxima fronteira de desenvolvimento da capital.


Ver online: Folha Vitória / Economia