A reforma de um conjuntos habitacionais mais antigos do país pode finalmente sair do papel depois de mais de vinte anos. A histórica e centenária Vila Operária da Avenida Salvador de Sá, no Estácio, pretende ser incluída no projeto de requalificação do Praça Onze Maravilha, que vai revitalizar o todo o entorno do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
A proposta foi apresentada nesta terça-feira (10/03), durante a primeira audiência pública realizada na Câmara Municipal do Rio para discutir o projeto. A sugestão partiu do vereador Pedro Duarte, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos, que também conduziu o encontro, e foi bem recebida pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.
O projeto, anunciado pelo município em novembro do ano passado, prevê intervenções urbanísticas que alcançam trechos dos bairros do Catumbi, Estácio e Cidade Nova. Entre as medidas previstas estão a demolição do Viaduto 31 de Março, a construção de uma biblioteca de referência e a criação de um boulevard para interligar a área, nos moldes do Porto Maravilha.
Patrimônio histórico em estado de deterioração
Durante a audiência, Pedro Duarte chamou atenção para o estado de degradação do conjunto. A vila, que pertence à prefeitura, abriga atualmente cerca de 120 famílias e apresenta sérios problemas estruturais. Boa parte das edificações mantém estruturas de madeira originais que, com o passar do tempo, vêm se deteriorando. Em alguns blocos, escadas internas já desabaram, obrigando moradores a improvisar acessos para os andares superiores. O sistema elétrico antigo também levanta preocupação, especialmente pelo risco de incêndio. Além disso, partes das construções apresentam danos estruturais visíveis. Há registros de varandas que desabaram e de áreas comuns em estado precário.
“A requalificação da Vila Operária Salvador de Sá não pode ficar de fora do projeto da AEIU da Praça Onze. Há muitas famílias que aguardam há anos uma solução para o imóvel, é um projeto de muitos anos que não sai do papel. Acredito que este seja o momento ideal para finalmente tirar essa requalificação da promessa e transformá-la em realidade.” afirmou o parlamentar.
Inaugurada em 1906, a vila foi construída durante a gestão do então prefeito Pereira Passos, durante uma das grandes reformas urbanas que transformaram o centro da cidade no início do século XX. O conjunto foi planejado para receber trabalhadores removidos da região central durante a abertura da antiga Avenida Central (atual Rio Branco). Na época, a iniciativa representou uma das primeiras experiências de habitação popular planejada no Brasil.
A vila possui 94 casas distribuídas em quadras internas e integra uma área protegida por patrimônio cultural. O conjunto é tombado e faz parte da Área de Proteção do Ambiente Cultural da Cidade Nova.
Reforma prometida há mais de duas décadas
A recuperação do conjunto não é uma discussão recente. A reforma é prometida há mais de 20 anos e, há cerca de seis, a Justiça chegou a determinar que a prefeitura executasse as obras. Mesmo assim, o projeto permaneceu em análise.
Em 2018, o Ministério Público do Rio realizou uma vistoria no local e identificou o estado crítico de conservação das edificações. O diagnóstico foi incorporado às ações judiciais relacionadas ao caso. Entre os problemas apontados estavam varandas que já haviam desabado, escadas em ruínas e adaptações improvisadas feitas pelos próprios moradores para garantir acesso aos apartamentos.