Antigo Colégio da Providência, em Laranjeiras, vai virar empreendimento residencial

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 4/maio

Croqui do projeto indica demolição parcial com preservação de áreas protegidas; abaixo-assinado mobiliza moradores contra o empreendimento.

Após quase 15 anos de portas fechadas, o imóvel histórico que abrigou o tradicional Colégio da Providência, em Laranjeiras, deve ganhar um novo destino, agora ligado ao mercado imobiliário. Em meio à retomada dos lançamentos na região, o terreno de cerca de 14,6 mil metros quadrados, entre as ruas Pereira da Silva e Alfredo Modrach, entrou no radar para a implantação de um grande projeto residencial.

A proposta é tocada pela Incorporadora Valente e prevê intervenções significativas no complexo, que fica aos pés da Floresta da Tijuca, e tem parte de suas estruturas tombadas desde 2001. Um croqui do projeto divulgado recentemente indica a demolição de parte das estruturas existentes, com preservação dos trechos protegidos, entre eles, a capela e o prédio que servia de residência para religiosas ligadas à instituição, originalmente mantida pela ordem das Irmãs de São Vicente de Paulo.

Além da preservação parcial, o plano inclui o retrofit de edificações existentes e a construção de novos blocos do imenso terreno.

Abaixo-assinado

Como nem tudo agrada a todos, um abaixo-assinado vem circulando pelo bairro contra o novo empreendimento. Criado no último dia 1º, o documento já reúne cerca de 2.500 assinaturas e levanta preocupações com possíveis impactos ambientais, urbanísticos e sobre o patrimônio histórico.

De acordo com o texto, o terreno está inserido na Área de Proteção Ambiental São José, o que exigiria cuidados adicionais em qualquer intervenção. Os autores apontam que ações como o corte de árvores poderiam afetar o microclima da região, comprometer a biodiversidade local e até aumentar o risco de deslizamentos em uma área considerada sensível.

No entanto, o projeto ainda não foi aprovado pelo município, que segue analisando o processo de licenciamento. Até o momento, a Prefeitura não concedeu autorização para remoção de vegetação no local.

No complexo de prédios, o Colégio da Providência funcionou por quase 160 anos.


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