BH e Nova Lima registram boom de apartamentos compactos e vendas sobem 54,6%

em Diário do Comércio / Economia, 25/março

As duas cidades vizinhas concentraram mais da metade nas compras de unidades habitacionais compactas em Minas Gerais.

A moradia minimalista consolidou-se como tendência no mercado imobiliário mineiro. Minas Gerais registrou crescimento expressivo na procura e na venda de apartamentos compactos – unidades de menor metragem que têm conquistado cada vez mais compradores. Belo Horizonte e Nova Lima, na região metropolitana, lideram a demanda por esse tipo de empreendimento.

Em 2025, as vendas dessas unidades saltaram 54,6% nas duas cidades, de acordo com o Censo do Mercado Imobiliário encomendado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) à Brain Consultoria.

No total, o Estado comercializou 21.516 apartamentos novos no ano passado, movimentando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 14,513 bilhões. Em Belo Horizonte e Nova Lima, foram vendidas 7.545 unidades – o equivalente a 31,5% das vendas em Minas Gerais -, com VGV combinado de R$ 7,376 bilhões.

Crescimento expressivo

Nas duas cidades, os apartamentos compactos responderam por 27,4% das vendas. O número de unidades comercializadas saltou de 1.340 em 2024 para 2.071 em 2025 – expansão de 54,6%. Os lançamentos desse segmento também avançaram, chegando a 2.128 unidades, cerca de 30% do total lançado no período, o que indica que as incorporadoras responderam rapidamente à demanda.

Em Belo Horizonte, os bairros Lourdes, Santa Lúcia, Santo Agostinho, Barro Preto, Savassi e Anchieta – todos próximos à região central – concentraram as vendas de imóveis compactos no ano passado e já sinalizam que podem repetir o desempenho em 2026. Somente em janeiro deste ano, foram comercializadas 182 unidades compactas na capital.

“Há uma combinação de fatores por trás do crescimento dos apartamentos compactos”, analisa o presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá. “Muitos compradores hoje são pessoas que moram sozinhas ou em famílias menores, que preferem imóveis bem localizados e com valor total mais acessível. Ao mesmo tempo, como o preço dos terrenos nas cidades está elevado, as construtoras têm investido mais em unidades menores, que costumam vender mais rápido. Isso faz com que os compactos ganhem espaço e ajudem a reduzir o risco de imóveis encalhados”, explica.

Estoques e acesso ao crédito

O Censo aponta que o estoque de unidades novas disponíveis ao fim de 2025 na capital mineira e Nova Lima era de 4.484 unidades – volume suficiente para apenas sete meses de vendas no ritmo médio registrado no ano, caso não houvesse novos lançamentos.

Para o setor da construção civil, a demanda por imóveis compactos tende a manter aquecido o ritmo de projetos e vendas, além de reduzir o tempo de permanência das unidades no mercado. “Os compactos têm maior liquidez e ajudam a manter o dinamismo do setor, especialmente em um contexto de custos elevados de terreno e de produção”, avalia Raphael Lafetá.

A pressão sobre os preços dos imóveis novos de maior metragem também figura entre os efeitos desse cenário. Por isso, as expectativas do setor para sustentar o crescimento desse segmento estão ligadas, sobretudo, às condições de crédito e ao comportamento dos juros. “O acesso ao financiamento é decisivo nesse contexto. Uma redução consistente das taxas de juros pode ampliar a capacidade de compra da população e ajudar a equilibrar o mercado”, afirma o presidente do Sinduscon-MG.


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