Em crise, Shopping Jardim Guadalupe vende parte do terreno para construção de 720 apartamentos

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 27/fevereiro

Empreendimento residencial ocupará área do estacionamento e prevê quatro blocos; centro comercial opera com cerca de 30% das lojas ocupadas.

O Shopping Jardim Guadalupe decidiu agora apostar no mercado imobiliário para tentar reorganizar as contas. O centro comercial, inaugurado em 2011 às margens da Avenida Brasil, vendeu parte do seu terreno para a incorporadora Jerônimo da Veiga, que pretende erguer um conjunto residencial popular na parte dos fundos do estacionamento do empreendimento. O projeto prevê a construção de quatro blocos, somando 720 unidades habitacionais.

Hoje, dos 191 pontos comerciais projetados, apenas cerca de 59 permanecem ocupados, algo em torno de 30% do total. Praticamente, todas as grandes âncoras deixaram o centro de compras desde a inauguração.
Vacância alta e histórico de dificuldades

A baixa taxa de ocupação é reflexo de um conjunto de fatores que se acumulam desde a sua abertura. A região enfrenta problemas estruturais históricos, como baixo poder de compra e altos índices de criminalidade, o que afasta grandes marcas e reduz o fluxo de consumidores.

O shopping, inclusive, já registrou episódios de assaltos em seus acessos. Guadalupe também figura entre as áreas com piores Índices de Desenvolvimento Humano do município, além de estar cercada por comunidades como Chapadão, Barros Filho e Costa Barros, frequentemente associadas a conflitos armados.

O ambiente de instabilidade impactou diretamente o interesse de investidores. Em 2024, a Gafisa chegou a firmar acordo com o fundo MACAM Shopping para aportar recursos no empreendimento, mas o negócio foi desfeito em 2025, cerca de um ano após a assinatura.

Em outubro, até o cinema do shopping ameaçou encerrar as atividades e chegou a ficar fechado por um curto período. Após negociação interna, o Cine Araújo retomou às atividades.


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