O Brasil tem cada vez mais inquilinos e uma menor participação de proprietários com imóveis quitados. É o que indicam os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A participação dos imóveis quitados no total caiu 6,5 pontos percentuais, passando de 66,7% para 60,2%.
Já no caso dos imóveis alugados, o movimento é inverso. Em 2016, eram 12,2 milhões de domicílios nessa condição, número que passou para 18,9 milhões em 2025, uma alta de 54,1%. Em termos proporcionais, a fatia avançou de 18,3% para 23,8% no período.
Ou seja, a locação já representa quase um quarto dos domicílios no Brasil — o maior patamar da série histórica do IBGE. Mas ainda está abaixo de países desenvolvidos como Estados Unidos (31%), média da União Européia (34%) e Suíça (57%).
Destaques da Pnad Contínua (IBGE 2026)
- Aluguel em alta: Domicílios alugados saltaram de 18,3% para 23,8% desde 2016.
- Verticalização: O número de apartamentos cresceu 48,7% em dez anos.
- Morar sozinho: 19,7% dos lares brasileiros são habitados por apenas uma pessoa.
- Imóveis quitados: A fatia de casas próprias quitadas recuou para 60,2%.
Ainda segundo os números do IBGE, de 2016 a 2025, o total de domicílios passou de 66,7 milhões para 79,3 milhões, um avanço de 18,9% no período. Desse total, 44,5 milhões estavam quitados em 2016, número que subiu para 47,8 milhões em 2025, um crescimento de 7,3%.
Crescimento do mercado imobiliário: verticalização e a alta dos apartamentos
Os dados da Pnad mostram ainda que a maior parte das moradias no país continua sendo de casas: 65,6 milhões, ou 82,7% do total. Os apartamentos somam 13,6 milhões, equivalentes a 17,1%.
No entanto, o ritmo de crescimento é bastante diferente. Entre 2016 e 2025, o número de apartamentos avançou 48,7%, enquanto o de casas cresceu 14,2%. Em 2016, eram 57,4 milhões de casas e 9,1 milhões de apartamentos.
Em termos absolutos, foram adicionadas cerca de 8,2 milhões de casas, ante 4,5 milhões de apartamentos. Ainda assim, proporcionalmente, a verticalização avança mais rápido no país.
Mudança demográfica: o aumento de lares com apenas um morador no Brasil
Ainda segundo os dados da Pnad, a quantidade de brasileiros que moram sozinhos aumentou de 2012 a 2025, indo de 12,2% a 19,7%.
A diferença de 7,5 pontos percentuais a mais representa um salto de absoluto de 8,2 de lares habitados por uma única pessoa. A maior parte daqueles que moram sozinhos (46,8%) são pessoas de 30 anos a 58 anos, e outros 41,% têm 60 anos ou mais. Adolescentes de 15 anos de idade a jovens de 29 anos representam 12$ do total.
O arranjo mais comum no país ainda é o nuclear, assim denominado por reunir casais com ou sem filhos e pais ou mães com filhos. Em 2025, representava 65,6% dos domicílios, mas recuou em relação a 2012, quando era de 68,4%.
Entre os que vivem sozinhos, os homens eram maioria: 54,9%, contra 45,1% de mulheres. O perfil etário de cada grupo, porém, é bem diferente. Entre os homens, 56,6% tinham entre 30 e 59 anos. Entre as mulheres, a maioria, 56,5%, tinha 60 anos ou mais.
As maiores proporções entre os que moram sozinhos estão no Sudeste e Centro-Oeste, com 20,9% e 20%, respectivamente.