O Centro do Rio virou a bola da vez do mercado imobiliário carioca. Depois de anos em que a Zona Sul concentrou os principais destaques do setor, a região passou a liderar a valorização tanto dos imóveis para aluguel quanto dos destinados à venda nos últimos 12 meses. O movimento ocorre num momento em que o bairro recebe uma nova leva de empreendimentos residenciais e volta ao radar de compradores e investidores.
Levantamento do Data Secovi mostra que o Centro registrou a maior alta no valor dos aluguéis da cidade, com valorização de 34,9% em um ano. O desempenho supera bairros tradicionalmente disputados, como Jardim Botânico (31,7%), Lagoa (26,1%) e Botafogo (21,9%).
O protagonismo se repetiu no mercado de compra e venda. Embora a valorização dos imóveis tenha sido mais moderada, o Centro também liderou esse ranking, com alta de 6,9% nos preços de venda em 12 meses. Na sequência aparecem Laranjeiras (6,4%), Copacabana (5,9%), Flamengo (5,6%) e Leblon (5,2%).
Bairros com o aluguel mais caro do Rio
Se o Centro lidera em valorização, o posto de metro quadrado mais caro continua com a Zona Sul. O Leblon segue na primeira colocação, com o m² de locação a R$ 129,10, seguido por Ipanema e Lagoa. Entre os dez bairros mais caros para alugar, oito ficam na Zona Sul. A novidade é a entrada do Centro na lista, ocupando a décima posição, com o metro quadrado avaliado em R$ 58,15.
| Bairro | Valor do m² |
|---|---|
| Leblon | R$ 129,10 |
| Ipanema | R$ 124,97 |
| Lagoa | R$ 89,64 |
| Jardim Botânico | R$ 82,20 |
| Barra da Tijuca | R$ 82,06 |
| Gávea | R$ 79,60 |
| Copacabana | R$ 77,04 |
| Botafogo | R$ 76,36 |
| Flamengo | R$ 62,79 |
| Centro | R$ 58,15 |
O cenário reflete um mercado de locação cada vez mais pressionado. Segundo dados divulgados pela TV Globo, a oferta de imóveis para aluguel tradicional no Rio caiu 31,8% entre 2023 e 2026. Ao mesmo tempo, a expansão das locações por temporada e os juros elevados, que dificultam o financiamento da casa própria, fizeram com que mais pessoas permanecessem no mercado de aluguel, aumentando a procura pelos imóveis disponíveis.
Os números do índice FipeZAP mostram que essa pressão não é recente. Nos últimos três anos, os aluguéis acumularam alta de 38,09%, enquanto os preços dos imóveis para venda avançaram 11,34%.