Endereço de uma das feiras mais famosas do Rio e eleito, há alguns anos, um dos bairros mais cool do mundo, a Glória vem ficando mais cara. Pequeno em extensão, entre o Centro e a Zona Sul, o bairro teve valorização de 23,7% no preço médio do metro quadrado residencial nos últimos cinco anos.
Segundo o Secovi Rio, o metro quadrado para venda passou de R$ 8.945, em julho de 2021, para R$ 11.062 em julho deste ano. No aluguel, a alta foi de 91,2%, de R$ 31,54 para R$ 60,31 por metro quadrado.
“Apesar da valorização, o bairro ainda oferece um bom custo-benefício e tem potencial para apresentar um salto ainda maior de valorização nos próximos anos”, afirma Leonardo Schneider, vice-presidente de locação e comercialização imobiliária do Secovi-Rio.
A alta ocorre junto com a chegada de novos projetos ao bairro e o aumento do interesse por imóveis antigos na região. A Glória está entre os endereços do chamado lado B da Zona Sul, que inclui ainda Flamengo, Laranjeiras, Catete e trechos de Botafogo.
O maior projeto em andamento é o Glória Residences, do fundo Opportunity, que retrofitou o antigo Hotel Glória. O projeto, em parceria com a SIG, também incluiu a construção de dois edifícios anexos. As chaves dos primeiros moradores serão entregues no início de setembro. Conforme noticiado pelo DIÁRIO DO RIO nesta semana, a obra, já concluída, teve custo estimado em R$ 400 milhões.
Ainda na Rua do Russel, o antigo prédio da Rádio Globo também passou por reformas e foi convertido em um empreendimento residencial. Mais adiante, na Rua da Glória, a construtora Valente transforma o imóvel que abrigava a Fundação Cecierj em um novo residencial. Lançado no ano passado, o empreendimento vendeu 90% das unidades no primeiro dia.
São Cornélio pode entrar nessa conta
Outro endereço que pode se beneficiar do bom momento é o Palacete São Cornélio, no início da Rua do Catete. Abandonado há décadas, o casarão voltou ao centro de uma discussão judicial sobre seu futuro. Nas últimas audiências da 8ª Vara Federal do Rio, Iphan, Ministério Público Federal, Santa Casa da Misericórdia, Câmara Municipal e peritos discutiram alternativas para viabilizar a restauração, como revelou com exclusividade o DDR.
A obra deve custar entre R$ 22 milhões e R$ 25 milhões. Sem recursos para bancá-la sozinha, a Santa Casa estuda utilizar o terreno nos fundos para uma nova construção e destinar os recursos do projeto à recuperação do palacete.
O São Cornélio não seria demolido. Integralmente tombado pelo Iphan, inclusive em seus interiores, o casarão seria preservado.