Imobtech: conheça as startups que inovam o setor mobiliário

em Quero Bolsa / Negócios, 26/janeiro

O que são imobtechs?

No Brasil, o termo imobtech define startups que aplicam tecnologia ao setor imobiliário, especialmente em processos de intermediação, gestão de imóveis e relacionamento com clientes.

A palavra é uma junção de “imobiliária” com “technology” (tecnologia, em inglês), e surgiu como uma adaptação nacional do conceito global conhecido como proptech — sigla para property technology.

Enquanto proptech abrange qualquer tecnologia voltada ao setor de propriedades, incluindo também a construção civil (em parceria com as construtechs), o uso de imobtech se consolidou por aqui para delimitar soluções digitais mais direcionadas à operação cotidiana de imobiliárias, corretores e administradoras de imóveis.

Na prática, esse ecossistema reúne plataformas e ferramentas voltadas à digitalização da compra, venda, locação, gestão de aluguéis, atendimento ao cliente, assinatura de contratos, organização de visitas virtuais, entre outras funcionalidades.

Uma imobtech pode, por exemplo, oferecer um aplicativo que automatiza a checagem de crédito e formalização de contratos entre inquilinos e proprietários, eliminando burocracias e etapas presenciais.

Outras techs do setor imobiliário

Além das imobtechs e proptechs, diversas outras verticais de tecnologia têm se desenvolvido e ganhando espaço nesse mercado, formando um ecossistema digital que impulsiona diferentes etapas da cadeia imobiliária. Confira:

  • Construtechs: Voltadas à construção civil, desenvolvem soluções para tornar processos mais ágeis, seguros e eficientes, desde a gestão de obras até a integração de dados de engenharia.
  • Contechs: Termo mais usado fora do Brasil para se referir a empresas que atuam diretamente no ambiente de obra, desenvolvendo tecnologias aplicadas à execução da construção.
  • Realtechs: São startups ligadas ao setor imobiliário (real state) de forma ampla, oferecendo soluções para projetos, gestão de ativos, condomínio e até investimentos em fundos imobiliários.
  • Greentechs: Com foco em sustentabilidade, desenvolvem soluções voltadas à eficiência energética, uso inteligente de recursos naturais e práticas ambientalmente responsáveis.
  • Infratechs: Aplicam tecnologia em infraestrutura pesada, como rodovias, túneis e redes de energia, com foco em eficiência, automação e sustentabilidade ao longo do ciclo de vida das obras.

Uma categoria não exclui a outra: uma mesma empresa pode reunir características de diferentes “techs” ao atuar de forma integrada em construção, gestão, sustentabilidade e inovação digital.

Como funcionam as imobtechs?

O objetivo das imobtechs é simplificar e agilizar processos no mercado imobiliário por meio de soluções digitais. Elas desenvolvem plataformas que conectam usuários, corretores, proprietários e administradoras, eliminando etapas presenciais, papeladas e intermediários desnecessários.

Essas startups atuam em diversas frentes: compra, venda, locação, reformas, gestão condominial, financiamento, análise de crédito e até agendamento de visitas.

Em vez de longas trocas de e-mails ou deslocamentos para assinar documentos, por exemplo, tudo pode ser feito por meio de apps, sites e ferramentas integradas.

Muitas dessas soluções são viabilizadas pelo uso de inteligência artificial, big data e automação de processos. A IA, por exemplo, permite identificar perfis compatíveis entre inquilinos e imóveis, prever riscos de inadimplência e personalizar ofertas.

Já o big data contribui com análise de mercado, precificação e comportamento de usuários. A automação, por sua vez, executa tarefas repetitivas como cobrança de aluguel ou envio de notificações, com menos intervenção humana.

Outro pilar das imobtechs é a experiência digital do usuário (UX). As plataformas são pensadas para tornar cada etapa da jornada mais intuitiva e acessível, com interfaces simples, processos guiados e respostas rápidas.

A desburocratização, ou seja, a retirada de barreiras operacionais, é uma das maiores entregas dessas soluções: menos exigências manuais, mais agilidade na tomada de decisão e maior transparência nas negociações.

Principais áreas de atuação das imobtechs

As imobtechs não se limitam a digitalizar processos tradicionais do setor imobiliário. Elas também vêm inovando em outras áreas desse ecossistema. A seguir, veja as principais frentes de atuação das empresas tech do setor imobiliário.

Construção (Building)

Nesta frente, as imobtechs atuam com tecnologias aplicadas à etapa de construção dos imóveis. Iniciativas como uso de drones para mapeamento aéreo, impressão 3D, gêmeos digitais (digital twins), softwares de gestão de obras e novos materiais construtivos ampliam a produtividade e o controle dos projetos.

Gestão de imóveis (Managing)

Uma das áreas mais consolidadas do setor, a gestão imobiliária engloba plataformas de busca e venda de imóveis, soluções para aluguel, financiamento, gestão condominial, ferramentas para corretores e administração de propriedades.

Investimentos imobiliários (Investing)

Aqui, o foco está em análise de dados e gestão de portfólios. Startups desse segmento usam big data, inteligência artificial e modelos preditivos para avaliar riscos, definir preços, prever tendências e estruturar estratégias de investimento. Também se destacam soluções de crowdfunding, que viabilizam investimentos com aportes menores.

Moradia (Living)

Essa frente reúne as tecnologias voltadas à experiência de morar, como serviços residenciais, dispositivos de automação, seguros, monitoramento remoto, gestão de energia e integração com sistemas inteligentes (IoT). Painéis solares, janelas inteligentes, assistentes virtuais e plataformas de controle por aplicativo são exemplos dessa área.

Tecnologias por trás das imobtechs e proptechs

Por trás das inovações aplicadas ao mercado imobiliário, está um conjunto de tecnologias que viabiliza processos automatizados, decisões baseadas em dados e experiências mais integradas para usuários e profissionais do setor.

Essas ferramentas são adaptadas a diferentes pontos da jornada — da construção ao pós-venda — e moldam o funcionamento das imobtechs e proptechs mais consolidadas no mercado.

Veja as principais tecnologias utilizadas nas soluções digitais do setor:

  • Inteligência Artificial (IA): Usada para análise preditiva, recomendação de imóveis, verificação de documentos e identificação de padrões de comportamento. Também alimenta chatbots e sistemas automatizados de atendimento.
  • Big Data: Permite o cruzamento e interpretação de grandes volumes de dados, como histórico de preços e preferências de usuários, para embasar decisões comerciais, estratégicas e operacionais.
  • Machine Learning: Atua no refinamento de sistemas baseados em dados. Algoritmos aprendem com o comportamento dos usuários e otimizam previsões, análises de risco e estratégias de marketing digital.
  • Realidade Aumentada (AR): Muito aplicada em visitas virtuais e visualização de imóveis em ambientes simulados, oferecendo uma experiência imersiva na etapa de decisão de compra ou locação.
  • Modelagem 3D: Utilizada para apresentar projetos de forma mais realista, facilitar aprovações e reduzir erros em obras e reformas.
  • APIs de pagamento: Integradas a plataformas imobiliárias para permitir transações seguras e automatizadas, como cobrança de aluguéis, pagamento de taxas ou repasse a proprietários, sem necessidade de intermediários bancários.
  • IoT (Internet das Coisas): Conecta dispositivos e sistemas em imóveis residenciais e comerciais, possibilitando controle remoto de luz, temperatura, segurança, fechaduras e outros recursos.
  • Blockchain: Cresce seu uso em registros de propriedade, contratos inteligentes e transações imobiliárias mais seguras, com redução de fraudes e rastreabilidade das etapas envolvidas.

Impactos das imobtechs no setor imobiliário tradicional

A atuação das imobtechs tem acelerado a transformação do setor imobiliário tradicional. Ao digitalizar processos, automatizar rotinas e oferecer plataformas mais diretas, essas startups reduzem a dependência de intermediários, eliminam burocracias e tornam as transações mais transparentes e rápidas.

As soluções digitais no setor vêm redefinindo o papel de corretores, administradoras e instituições financeiras, que precisam se adaptar a um mercado cada vez mais orientado por tecnologia.

De acordo com o relatório “PropTech Global Trends”, o setor imobiliário global atingiu o valor de US$ 634,9 trilhões em 2024, sinalizando o potencial das inovações.

O documento ainda destaca que tecnologias como robótica, inteligência artificial e big data, estão moldando um novo padrão no setor, que deixa de ser apenas sobre construir imóveis e passa a ser sobre construir ambientes inteligentes, sustentáveis e adaptáveis.

O cenário das imobtechs no Brasil

O Brasil está no radar do mercado global de imobtechs. O levantamento “PropTech Global Trends 2024” apontou o país como um dos mercados emergentes que mostram crescimento.

Junto com outros mercados menores, o Brasil está se tornando um ponto focal para a próxima geração de inovações imobiliárias, com US$ 2,5 bilhões em investimentos, segundo o relatório.

A maturação do setor também aparece em levantamentos nacionais. O Brasil já abriga mais de 1,2 mil startups imobiliárias, divididas entre proptechs e construtechs. O número representa um crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior, conforme o “Mapa das Construtechs e Proptechs 2024”.

Essas empresas têm se destacado ao propor soluções escaláveis, orientadas por dados e voltadas à digitalização de ponta a ponta do setor. Casos como QuintoAndar, Loft, EmCasa, e Terraz são alguns exemplos de como as imobtechs brasileiras estão redesenhando o mercado com tecnologia e experiência digital.


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