Depois de um ano de avanço moderado, Ipanema acelerou de forma expressiva em 2025 e registrou uma valorização de 12,5% no preço dos imóveis residenciais, segundo o Índice FipeZap. O desempenho foi mais que o dobro da média nacional no período (6,52%) e colocou o bairro em rota de colisão direta com o Leblon, tradicional líder do ranking do metro quadrado mais caro do Brasil.
Em dezembro de 2025, o preço médio do metro quadrado em Ipanema chegou a R$ 25.302, praticamente colado ao valor do Leblon, que fechou o mês em R$ 25.717. Um ano antes, a distância entre os dois bairros era maior, refletindo um ritmo mais contido de valorização em Ipanema, que havia avançado 5,4% em 2024. Se seguir a média atual, o valor de uma kitnet de 30m² terá uma diferença de menos de R$ 13 mil nos dois bairros, custando R$ 759.180 e R$ 771.510, em cada um deles.
— Essa valorização está ancorada em alguns fatores importantes: a percepção do Rio como uma cidade que atrai cada vez mais turistas de todo o mundo, e muitos deles optam por se hospedar em Ipanema, o Plano Diretor, e o Reviver Centro (projeto que oferece incentivo ao empreendedor que constrói no Centro para projetos em outros locais), que proporcionaram novos empreendimentos no bairro, que ganhou ainda mais destaque — avalia Leonardo Mesquita, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ).
O interesse por hospedagem citado por Mesquita, eleva também o valor de venda, já que há compradores que querem investir em imóveis menores para alugar. É o que explica Paulo Cezar Ximenes, diretor de vendas da Corá Atelier Imobiliária, especializada em imóveis de alto padrão:
— Temos o fenômeno Airbnb. Isso altera muito a conta, porque existem unidades em Ipanema com uma procura ainda maior do que o Leblon. Elas chegam a dar 1,4% ou 1,6% ao mês (do valor do imóvel). Tenho clientes que dão até 1,8%. Ipanema tem uma vida, digamos, um pouco mais agitada que o Leblon, que tem um aspecto ligeiramente mais pacato. Ipanema tem mais vida noturna. O valor do metro quadrado das unidades de estúdio e outras menores altera a média para cima.
A virada de desempenho fez de Ipanema o bairro com maior alta entre os mais valorizados da Zona Sul e também um dos destaques do mercado imobiliário carioca no ano passado. O crescimento ficou bem à frente de Copacabana, que aparece como o segundo bairro com maior valorização entre os líderes, mas com um avanço mais moderado, de 8,5% em 12 meses, alcançando preço médio de R$ 12.882 por metro quadrado.
Os números reforçam uma concentração já conhecida, mas ainda impressionante: sete dos dez bairros mais caros do Rio estão na Zona Sul. Além de Leblon, Ipanema e Copacabana, aparecem na lista Lagoa, Botafogo, Flamengo e Laranjeiras, todos com preços médios superiores à média da cidade, mas com ritmos de valorização distintos.
Enquanto Ipanema liderou o crescimento, bairros tradicionalmente valorizados como Botafogo (2,6%) e Lagoa (3,6%) tiveram altas mais discretas em 2025. A Barra da Tijuca avançou 6,3%, mantendo-se entre os grandes mercados da cidade, mas sem repetir o fôlego dos endereços mais disputados da Zona Sul.
No recorte da cidade como um todo, o preço médio do metro quadrado no Rio chegou a R$ 10.830 em dezembro de 2025, com alta acumulada de 5,21% em 12 meses, segundo o FipeZap.
Bairros mais caros do Rio de Janeiro em dezembro de 2025 (por m²)
- Leblon - R$ 25.717 (variação de 6,6% nos últimos 12 meses)
- Ipanema - R$ 25.302 (variação de 12,5%)
- Lagoa - R$ 17.437 (variação de 3,6%)
- Barra da Tijuca - R$ 14.011 (variação de 6,3%)
- Botafogo - R$ 13.087 (variação de 2,6%)
- Copacabana - R$ 12.882 (variação de 8,5%)
- Flamengo - R$ 12.243 (variação de 7,1%)
- Laranjeiras - R$ 10.804 (variação de 5,1%)
- Recreio dos Bandeirantes - R$ 7.752 (variação de 2,4%)
- Tijuca - R$ 6.908 (variação de 0,4%)