Lançamentos sobem 10% e dão fôlego às construtoras

em Portas / Relaórios & Índices, 3/julho

Radar da Construção mostra repasse acima do INCC, mas reforça que custos, demanda e crédito seguem desiguais entre mercados.

Os lançamentos imobiliários ficaram 10,06% mais caros em 12 meses, de acordo com o Radar da Construção destacado em reportagem do InfoMoney. O relatório é elaborado por Sienge, Grupo OLX, CV CRM e Nomad. A alta superou a variação de 6,17% do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) no mesmo intervalo.

Na prática, o resultado sugere que incorporadoras e construtoras conseguiram transferir parte da pressão de custos para os preços finais. Esse repasse ajuda a preservar rentabilidade em um setor ainda afetado por juros elevados e encarecimento do capital.

Valorização não é homogênea

O desempenho varia bastante entre praças. O Rio de Janeiro liderou a valorização dos lançamentos monitorados pelo ILI DataZAP, com alta de 68,51% e preço médio de R$ 19.445 por metro quadrado. Fortaleza avançou 52,73%, e Florianópolis, 26,13%. Em São Paulo, os preços ficaram praticamente estáveis.

Essa dispersão reforça que o ciclo não pode ser lido como expansão generalizada. Produto, localização, renda do comprador e profundidade da demanda continuam determinando o poder de preço de cada incorporadora.

Custo médio pode esconder riscos específicos

O relatório chama atenção para um erro comum de gestão: tratar custo de obra como inflação média. A pressão depende do insumo, da etapa da obra, da região e do momento de compra. Em 12 meses encerrados em maio, o fio de cobre subiu 30,72%, enquanto o cimento avançou 14,96%. Já aço e argamassa caíram 0,63% e 2,30%, respectivamente.

A diferença entre esses itens mostra por que olhar apenas o INCC pode subdimensionar riscos. Obras em fases mais sensíveis a determinados insumos podem enfrentar impacto maior do que a média do índice sugere.

Demanda existe, mas conversão ainda é desafio

O Anuário DataZAP mostra interesse relevante por imóveis, mas boa parte do público ainda está longe da assinatura do contrato. Segundo o levantamento, 82% dos interessados estão na fase de descoberta ou busca ativa; 11% negociam; e 6% estão próximos de concluir a compra.

Outro ponto pressiona os lançamentos: 91% dos consumidores consideram imóveis usados, enquanto apenas 16% avaliam unidades na planta. Para vender novo com prêmio de preço, incorporadoras precisam justificar localização, projeto, tecnologia, liquidez ou potencial de valorização.


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