A prefeitura do Rio acaba de criar o Distrito de Arte e Cultura da Lapa. Na prática, a nova nomenclatura pretende organizar uma série de ações do município nas áreas de preservação do patrimônio histórico, fortalecimento da economia criativa, turismo e requalificação dos espaços públicos na região que é uma das mais procuradas da cidade por visitantes — e cariocas também. A medida foi oficializada por decreto e tem como uma das primeiras ações a implantação do Boulevard Selarón, cujas obras começaram nesta sexta-feira (3).
A implantação do boulevard, que leva o nome do chileno Jorge Selarón (1947— 2013) pretende transformar o entorno da escadaria onde o artista realizou sua mais conhecida intervenção urbana e que transformou o lugar em um dos pontos turísticos mais visitados e fotografados do Rio. As obras estão orçadas em R$ 1,7 milhão e serão executadas pela Secretaria municipal de Infraestrutura. O trabalho abrangerá um perímetro de cerca de 2 mil metros quadrados nas ruas Joaquim Silva, Teotônio Regadas e Visconde de Maranguape. O projeto prevê pavimentação, ajustes nas calçadas e a modernização das redes de infraestrutura urbana. O objetivo é melhorar as condições de circulação no entorno da escadaria.
A Rua Visconde de Maranguape, no trecho próximo à sala Cecília Meireles, ganhará uma baia para embarque e desembarque de ônibus e vans de turismo. Na Rua Joaquim Silva, bem em frente à escadaria, a calçada será alargada privilegiando os pedestres que enchem a área durante todo o dia. A Rua Teotônio Regadas passará a ser uma rua de serviço com pista elevada ao mesmo nível das calçadas. A ideia é priorizar deslocamentos a pé, além de ampliar a acessibilidade.
O Distrito de Arte e Cultura da Lapa reconhece o local como território estratégico para o desenvolvimento cultural, urbano, turístico e econômico da cidade. A iniciativa estabelece ainda uma estrutura permanente para coordenar ações de preservação e revitalização da área.
Entre os objetivos da nova política estão a preservação do patrimônio material e imaterial, o incentivo à recuperação de imóveis históricos, o fortalecimento de museus, teatros, galerias, ateliês, livrarias, escolas de arte e centros culturais, além da promoção permanente de festivais, feiras, residências artísticas, arte pública, roteiros históricos e ações voltadas ao turismo cultural.
O Distrito será coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura, em articulação com os demais órgãos da Prefeitura, e contará com um Comitê Gestor para integrar poder público, instituições culturais, universidades, representantes da economia criativa, do turismo, do comércio e da sociedade civil. A iniciativa também permitirá a integração com programas como Reviver Centro, Reviver Cultural e Reviver Patrimônio Pró-APAC.