O mercado imobiliário de Fortaleza e sua Região Metropolitana mantém uma trajetória de forte expansão e caminha para alcançar um marco inédito. Apenas nos primeiros seis meses deste ano, o setor movimentou R$ 4 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), resultado que representa crescimento de 29% em relação a igual período dde 2025 e reforça a força do segmento como um dos principais vetores da economia cearense.
Os dados fazem parte do Flash Imobiliário, levantamento apresentado nesta sexta-feira (24) pelo empresário Ricardo Bezerra, sócio-diretor da Lopes Immobilis, que projeta um desempenho histórico para o mercado local. Segundo ele, considerando a tradicional aceleração das vendas no segundo semestre e os novos lançamentos previstos, o setor poderá ultrapassar pela primeira vez a marca de R$ 10 bilhões em VGV comercializado em um único ano.
Entre janeiro e junho, foram vendidas 9.651 unidades imobiliárias nos principais segmentos analisados, incluindo imóveis econômicos vinculados ao programa Minha Casa Minha Vida, residenciais verticais, salas comerciais, empreendimentos horizontais, segunda moradia e loteamentos. Um volume pouco acima de 2025, mas com um tíquete médio superior.
Valorização dos endereços premium
O levantamento também reforça a valorização dos bairros mais nobres de Fortaleza. O Meireles permanece como a região com o maior preço médio por metro quadrado da Capital, alcançando R$ 18.066,00 – seguido por Aldeota, com R$ 15.712,00 e Cocó, com R$ 13.470,00.
Um dos movimentos mais expressivos está concentrado na região da Avenida Beira-Mar, onde os imóveis novos já se aproximam da faixa de R$ 30 mil por metro quadrado. De acordo com o estudo, os valores praticados atualmente variam entre R$ 24.067,00 e R$ 29.590,00 por m², acompanhando a escassez de terrenos e a crescente demanda por produtos de alto padrão.
Para Ricardo Bezerra, a tendência é de continuidade dessa valorização. “Ainda poderemos ter valores mais elevados na região, chegando a até R$ 50 mil por metro quadrado, pois os terrenos já estão na casa dos R$ 100 mil por m². Possivelmente seja um dos mais caros do Brasil, e praticamente não existem”, avalia.
Segmento econômico impulsiona
Outro destaque do primeiro semestre foi o desempenho do segmento econômico, representados pelos empreendimentos enquadrados no Minha Casa Minha Vida (MCMV). O setor respondeu por 5.663 unidades comercializadas, crescimento de 20% em relação ao primeiro semestre de 2025.
O segmento também alcançou um VGV de R$ 1,38 bilhão até junho, representando avanço de 26% na comparação anual. O resultado evidencia a amplitude do mercado imobiliário cearense, que combina a demanda por imóveis de entrada com o avanço dos produtos de alto padrão, especialmente em áreas valorizadas da Capital e do seu litoral.
2SEM26 deve ampliar desempenho
Na avaliação de Ricardo Bezerra, o mercado ainda tem espaço para crescer nos próximos meses, impulsionado por novos projetos. “O número de unidades é muito parecido com o de 2025, mas o tíquete médio aumentou. E temos grandes lançamentos chegando. A tendência é que a gente supere os números do ano passado e supere os R$ 10 bilhões no acumulado de 2026”, afirma.
O cenário confirma uma mudança no perfil do mercado imobiliário de Fortaleza: além do crescimento em volume, o setor passa por um ciclo de valorização dos produtos. Impulsionado pela escassez de áreas estratégicas, novos conceitos arquitetônicos e uma demanda crescente por imóveis que combinam localização, qualidade de vida e investimento.