Mercado imobiliário de luxo bate recordes e impulsiona crescimento do alto padrão no Espírito Santo

em A Gazeta, 21/abril

Com vendas bilionárias e novos perfis de compradores, segmento premium ganha força nas capitais brasileiras, inclusive na Grande Vitória.

O mercado imobiliário residencial de luxo e superluxo vive um momento positivo no Brasil. Em 2025, o segmento registrou recorde de vendas nas capitais brasileiras, com 10.607 unidades comercializadas acima de R$ 2 milhões, movimentando R$ 52,2 bilhões, em um crescimento de 35% em relação a 2024.

Os dados, apresentados por um estudo da consultoria Brain Inteligência Estratégica, divulgado pela Forbes Brasil, mostram ainda que, apesar de representar apenas 3,75% das unidades vendidas, o segmento concentrou 29,4% de todo o valor negociado no mercado residencial, que alcançou cerca de R$ 177 bilhões nas capitais brasileiras.

O levantamento também aponta que as incorporadoras aceleraram o ritmo de lançamentos. Ao longo de 2025, foram lançadas 11.696 novas unidades de luxo e superluxo no país, com potencial de vendas estimado em R$ 58 bilhões, que representam uma alta de 36% em relação ao ano anterior e o maior volume já registrado para o segmento.

Outro destaque é a concentração regional. A região Sudeste lidera o mercado imobiliário de alto padrão, reunindo mais da metade das unidades comercializadas no Brasil e consolidando-se como principal polo de lançamentos e investimentos.

E o Espírito Santo tem acompanhado esse crescimento. Segundo os dados do 46º Censo do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), os empreendimentos de médio e alto padrão, sendo esta última categoria onde se encaixa o segmento de luxo, já representam 64,83% das unidades residenciais em produção no Estado, representando 12.297 unidades.

Estado constrói sua relevância

Nos últimos anos, o Estado tem reunido fatores que favorecem o crescimento desse segmento, como o aumento do interesse por ativos imobiliários como proteção patrimonial, o amadurecimento do mercado local e a maior sofisticação dos projetos voltados ao público de alta renda.

Para Lucas Peixoto, diretor da Invite Inc., isso se justifica pelo momento do mercado capixaba, que está em um período de transição.

“O que estamos observando é um processo de maturação do mercado local. O comprador está mais informado, compara projetos em diferentes cidades e tem referências nacionais e internacionais. Isso eleva naturalmente o nível de exigência e faz com que o alto padrão evolua em arquitetura, serviços e concepção de produto”, analisa.

Segundo o executivo, mudanças no perfil do comprador também impulsionam o setor. “Uma parte relevante desse público não depende de financiamento e enxerga o imóvel também como proteção patrimonial. Em um cenário de volatilidade econômica, ativos imobiliários bem localizados e com conceito sólido tendem a preservar valor no longo prazo”, afirma.

Crédito e resiliência do mercado

Mesmo em um cenário de juros elevados, especialistas destacam que o mercado de alto padrão tem demonstrado resiliência e segue atraindo compradores interessados em imóveis diferenciados. Para Ricardo Gava, diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi/Secovi-ES, o momento pode representar oportunidades.

“Desde dezembro, os bancos já começaram a reduzir as taxas de financiamento imobiliário, antecipando uma melhora das condições econômicas e já olhando para um novo ciclo do mercado”.

Ele ainda ressalta que quem compra agora tende a enfrentar menos concorrência: “Quando os juros caírem e mais compradores passarem a ter acesso ao crédito, essa disputa tende a aumentar a demanda e os preços dos imóveis costumam reagir. Se o financiamento for viável dentro do orçamento do comprador hoje, este pode ser um momento interessante para adquirir o imóvel, começar a utilizá-lo, se beneficiar da valorização ao longo do tempo e saber que o juro contratado agora pode ser ajustado no futuro por meio da portabilidade de crédito imobiliário”, explica Gava.

Outro especialista do setor que concorda com isso é Sandro Carlesso, diretor da Impacto Engenharia. Para ele, “o mercado de alto padrão no Espírito Santo segue em crescimento consistente, impulsionado por um público menos dependente de crédito e mais focado em investimento e qualidade de vida”, acrescenta.

Grande Vitória ganha destaque nacional

O crescimento do segmento também pode ser observado nos indicadores imobiliários da Grande Vitória. Segundo dados do Índice FipeZap 2025, Vitória possui atualmente o metro quadrado mais caro do Brasil, com média de R$ 14.108, enquanto Vila Velha aparece entre as cidades com maior valorização, com cerca de R$ 10.225 por metro quadrado.

Esse cenário impulsiona uma nova geração de empreendimentos de luxo, cada vez mais exclusivos e sofisticados. Bairros como Praia do Canto e Enseada do Suá, em Vitória, e Praia da Costa e Itaparica, em Vila Velha, concentram lançamentos que já ultrapassam R$ 30 mil por metro quadrado, refletindo a escassez de terrenos bem localizados, a proximidade com o mar e a forte demanda por imóveis diferenciados.

Na região, já surgem coberturas avaliadas acima de R$ 30 milhões e unidades de alto padrão com valores próximos de R$ 20 milhões. Ao mesmo tempo, projetos com conceito de “resort urbano” e foco em bem-estar ganham espaço, com imóveis entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões voltados a um público cada vez mais exigente.

“Hoje, vemos um cenário de forte valorização, com indicadores que colocam a Grande Vitória entre os mercados mais relevantes do país, inclusive em termos de preço. Esse movimento é sustentado por fatores como a escassez de terrenos em áreas nobres, a qualidade de vida e um perfil de comprador cada vez mais exigente e sofisticado. Ao mesmo tempo, o que ainda está em evolução é a profundidade desse mercado, com projetos mais autorais, soluções arquitetônicas mais elaboradas e uma experiência de moradia que acompanha padrões nacionais e internacionais. Isso indica um ciclo de crescimento mais qualitativo do que quantitativo nos próximos anos”, afirma Roberto Puppim, diretor da Città Engenharia.

Enquanto isso, Diego Freire, diretor geral da Javé Construtora, também ressalta outros fatores que propiciam a expansão desse mercado no Espírito Santo, como o crescimento acima do PIB nacional, taxa de desocupação em apenas 2,6%, as belezas naturais do mar e das montanhas muito próximos, ótima logística e governança pública eficiente.

“O Espírito Santo traz tudo de mais importante para grandes empresas. Junte, nessa equação, os empreendimentos que traduzem a melhor experiência e conveniência seja para morar ou até investir, este último com ganhos mais exponenciais de valorização frente a qualquer rendimento tradicional conforme mostram os números de elevação do metro quadrado nos valores de venda recentes", analisa Diego.

Assim, com o aumento da demanda, as construtoras capixabas têm buscado ampliar o portfólio de empreendimentos premium. Para Douglas Vaz, presidente do Sinduscon-ES, o momento é ideal para essa expansão.

“O mercado imobiliário de luxo no Brasil vive um momento excepcional, marcado por recordes de valorização e aquecimento, impulsionados por um público cada vez mais exigente, que busca não apenas imóveis, mas experiências completas de moradia, conforto e exclusividade”, finaliza.


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