Primeiro residencial da Avenida Rio Branco será inspirado em grandes hotéis europeus

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 18/agosto

Retrofit de edifício Art Déco de 1937 terá 123 unidades, rooftops e referências aos tradicionais hotéis parisienses; lançamento está previsto para setembro.

O Rio sempre teve uma quedinha por Paris. Quando Pereira Passos abriu, no início do século XX, a Avenida Central – atual Rio Branco – a intenção era justamente aproximar a então capital federal dos grandes centros urbanos europeus. Inspirada nos boulevards parisienses, a nova avenida nasceu moderna, elegante e cosmopolita, com hotéis, cafés, lojas, cinemas e edifícios que ajudariam a desenhar uma nova paisagem para a cidade.

Mais de um século depois, essa inspiração volta a aparecer em um projeto que pretende inaugurar uma nova fase da própria avenida. O ARB 26, primeiro residencial da via, vai transformar um edifício comercial construído em 1937 em um empreendimento de alto padrão, preservando sua arquitetura Art Déco e incorporando referências aos grandes hotéis e estabelecimentos europeus.

Entre elas estão os toldos, tradicionais nas fachadas de hotéis e lojas parisienses, como a Cartier, por exemplo, que serão reinterpretados pela Cité Arquitetura no projeto. A ideia é fazer uma ponte entre o edifício original e sua nova função, recuperando referências de uma época em que a Avenida Central era uma das grandes vitrines do Rio moderno.

O endereço, no número 26 da Avenida Rio Branco, é o antigo Edifício Unidos, projetado pelo arquiteto Luigi Fossati e concluído em 1937. O prédio, que durante décadas foi ocupado por escritórios, chegou a apresentar cerca de 80% de vacância antes de ser adquirido pela WPX Empreendimentos. Agora, passará por um retrofit para receber 123 unidades residenciais. “O ARB 26 nasce justamente desse encontro entre história e transformação. Estamos diante de um edifício que representa um período importante da arquitetura carioca e de uma avenida que sempre teve uma vocação cosmopolita. A proposta é preservar essa identidade e reinterpretá-la para um novo momento do Centro”, afirma Wagner Paz, CEO da WPX.

A mudança de uso acontece em meio a uma transformação mais ampla da região. Depois de décadas marcada principalmente pela concentração de escritórios, a área central começa a recuperar uma vocação residencial, impulsionada por retrofits, novos empreendimentos e pela retomada do interesse turístico e cultural pelo bairro. O ARB 26 se diferencia pela localização, a poucos passos da Praça Mauá e da região portuária, em uma área que reúne o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio (MAR), o Boulevard Olímpico, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Centro Cultural Correios, o Paço Imperial, o Mosteiro de São Bento e a Pedra do Sal, além de restaurantes, bares e uma agenda crescente de eventos.

O Centro também passou a disputar espaço com a Zona Sul no roteiro de quem visita o Rio. A região portuária, os eventos realizados ao longo do ano e a programação cultural ajudaram a mudar a percepção do bairro, que deixou de ser apenas uma área de passagem entre casa e trabalho e passou a fazer parte do roteiro de quem quer conhecer o Rio. “O momento do Centro é outro. O turista que vem ao Rio já entendeu que existe muito mais para conhecer além dos cartões-postais tradicionais da Zona Sul. Ele quer descobrir a história, a arquitetura, a gastronomia e a cultura da região central. O bairro está inserido nesse mesmo movimento turístico e de entretenimento, e a moradia é o fôlego que faltava para esse processo se consolidar”, afirma.

Um prédio histórico para um novo perfil de morador

Com lançamento marcado agora para setembro, o empreendimento terá 92 studios, 28 apartamentos de um quarto e 3 coberturas, com unidades entre 23,48 m² e 94,11 m². Algumas plantas terão varanda, terraço e áreas externas privativas. São dois rooftops com piscina, sauna, academia panorâmica, lounge e mercadinho. O projeto terá ainda coworking, lavanderia compartilhada, bicicletário, maleiro, espaço delivery e portaria automatizada.

A localização é outro componente importante da proposta. Além da proximidade com equipamentos culturais e turísticos, o endereço tem acesso ao metrô, VLT, ônibus, Aeroporto Santos Dumont e às Barcas da Praça XV. Para Wagner, quem compra como investimento encontra na região uma combinação entre valorização imobiliária e diferentes possibilidades de exploração das unidades, incluindo a locação por temporada. “O diferencial está justamente na possibilidade de atuar em um mercado que ainda tem espaço para valorização e, ao mesmo tempo, contar com diferentes frentes de demanda. É esse equilíbrio entre potencial de ganho de capital e capacidade de geração de renda que torna o ativo mais interessante e contribui para sua liquidez”

Para a comercialização das unidades, que devem ser vendidas “a toque de caixa”, como ocorreu com os últimos lançamentos da região, serão montados dois apartamentos decorados, além de uma sala de imersão dedicada à história do edifício e à sua construção.

Centro lidera valorização dos aluguéis no Rio

Os números ajudam a explicar por que o Centro voltou ao radar do mercado imobiliário. Levantamento do Data Secovi mostra que a região registrou valorização de 34,9% nos aluguéis em 12 meses, a maior alta entre os bairros do Rio. O resultado superou Jardim Botânico (31,7%), Lagoa (26,1%) e Botafogo (21,9%). No mercado de compra e venda, o Centro também liderou a valorização, com alta de 6,9% no período. Laranjeiras registrou 6,4%, Copacabana, 5,9%, Flamengo, 5,6%, e Leblon, 5,2%.

O movimento ocorre enquanto a oferta de imóveis para locação tradicional encolhe e cresce a procura por alternativas de hospedagem e locação por temporada. Embora o metro quadrado do aluguel no Centro, de R$ 58,15, ainda esteja abaixo dos valores de bairros como Leblon (R$ 129,10) e Ipanema (R$ 124,97), a velocidade de valorização coloca a região em uma posição cada vez mais relevante para investidores


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