Durante décadas, a Praça Pio X, na Candelária, concentrou boa parte das sedes mais importantes do sistema financeiro brasileiro. Símbolo de uma época em que o Centro do Rio era o coração econômico do país, a região vem sendo redescoberta por incorporadoras e investidores. Depois de flertar – e com sucesso – com o mercado residencial, o endereço volta a olhar para onde construiu sua fama: o mundo corporativo.
Quem acaba de entrar na jogada é antiga sede modernista do Banco Boavista, edifício projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1948, que foi adquirida pela Construtora Internacional, a mesma responsável pelo retrofit do Edifício Aliança da Bahia, no Castelo.
O plano é investir cerca de R$ 100 milhões para modernizar os 12,5 mil metros quadrados do prédio antes de recolocá-lo no mercado de escritórios. São 13 pavimentos, com lajes de aproximadamente 800 metros quadrados cada.
Edifício tem painel pintado por Portinari
Tombado desde a década de 1990, o edifício é um dos exemplares mais marcantes da arquitetura moderna no Centro, principalmente por fugir completamente do padrão sisudo das sedes bancárias da época. O destaque fica para a fachada lateral ondulada em tijolos de vidro, que serpenteia entre os pilotis, marca do estilo.
O cuidado com os detalhes também aparece nos interiores. O mezanino abriga um painel de mosaico de Paulo Werneck, enquanto um dos grandes tesouros do edifício é a tela A Primeira Missa no Brasil, pintada por Candido Portinari especialmente para o banco.
Fundado na década de 1920 pela tradicional família Lineu de Paula Machado, o Boavista chegou a ocupar a posição de nono maior banco privado do país. Com as mudanças no sistema financeiro brasileiro ao longo dos anos 1990, a instituição acabou vendida, em 1997, a um consórcio formado pelo Banco Espírito Santo, de Portugal, e pelo grupo Monteiro Aranha, passando a operar como Banco Boavista InterAtlântico. Três anos depois, no ano 2000, o Bradesco adquiriu a instituição e incorporou suas operações.
Do outro lado da praça…
A poucos metros dali, outro prédio modernista também entrou na mira dos investidores. Como mostrou o DIÁRIO DO RIO, o Edifício João Úrsulo Ribeiro Coutinho, projeto de Lúcio Costa em frente à Igreja da Candelária, foi adquirido por um grupo formado pela Fator Realty e pela CIX Capital para um retrofit residencial.
Serão 154 apartamentos distribuídos em 11 andares, com unidades de até 44 metros quadrados. A recepção do mercado foi imediata: aproximadamente 90% das unidades foram comercializadas nas duas primeiras horas de lançamento.