Cidade do Rio vive disparada no preço dos imóveis em lançamento

em CBN / Rio de Janeiro, 10/julho

Em 12 meses, o valor do metro quadrado subiu quase 70%, sete vezes mais do que a média do país. A proximidade com o mar e a escassez de terrenos para a construção estão entre as explicações para o cenário.

O Rio de Janeiro foi a capital que registrou maior aumento de preço de imóveis em lançamento, com alta de quase 70% nos 12 meses encerrados em março de 2026. Os dados são do Índice de Lançamentos Imobiliários DataZAP, divulgado pelo Radar da Construção. O número é praticamente sete vezes maior que o aumento médio de todo o país, que é de 10%. Como comparação, o Índice Nacional de Custo da Construção do IBGE teve aumento de 6,17% no mesmo período.

Uma das explicações para isso tem a ver com uma característica da cidade do Rio, principalmente na Zona Sul: a localização próxima ao mar. Além disso, nas áreas mais adensadas, a quantidade de terrenos disponíveis para a construção de novos empreendimentos é menor, o que faz as moradias serem mais valorizadas. É o que explica o pesquisador e gerente de inteligência de mercado do Grupo OLX, Coriolano Lacerda.

"Na cidade, o endereço tem um peso muito relevante na formação de preços, e isso está relacionado a muitos fatores, como a escassez de terreno para o lançamento dos imóveis em regiões mais próximas ao litoral e em bairros consolidados. No anuário Datazap, a gente chama esse movimento de corrida para o mar, com valores mais elevados do metro quadrado, nas áreas mais próximas da orla, especialmente na zona sul. Bons terrenos em regiões desejadas são limitados. Os projetos têm maior qualificação e a demanda segue reagindo melhor nos produtos bem localizados".

O preço dos lançamentos na capital fluminense chegou a mais de doze mil e oitocentos reais por metro quadrado.

Por causa do preço, a gerente de marketing Uyara Assis desistiu de comprar um apartamento em um condomínio que estava sendo lançado no Leblon, na Zona Sul. Ela encontrou o que queria por um preço mais em conta na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste.

"A gente queria um apartamento maior, um apartamento que tivesse uma distância de área de lazer, essa questão da infraestrutura, de ter um espaço para a criança brincar, com quadra, com piscina, era bem importante para a gente. a gente queria muito achar um apartamento nesses requisitos no Leblon. a gente acabou desistindo de encontrar alguma coisa no Leblon que fosse um imóvel novo, um imóvel com infraestrutura, por conta de que a oferta é pouca nesse sentido, né? E aí o que tinha realmente era muito caro e não rolou. Num bairro que tem um metro quadrado muito caro, então a gente acabou desistindo. E é por isso que a gente escolheu esse empreendimento na Barra".

A disparada dos preços pode ser vista em todos os segmentos econômicos, mas ela é mais intensa nos novos residenciais de médio/alto padrão e de luxo.

O presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, Leonardo Mesquita, aponta que a retomada do turismo na capital fluminense também se tornou um fator para a valorização dos imóveis:

"Eu acho que quando você olha o Rio de Janeiro por regiões, você ainda verifica que tem muita oportunidade. De determinadas regiões de preços do metro quadrado, mostrando que o Rio está no no no caminho de recuperação muito boa e fatores como turismo, economia tem ajudado muito a melhorar também o mercado imobiliário".

A pesquisa aponta também que quase metade das pessoas com interesse de comprar um um apartamento buscam o de dois dormitórios. Os imóveis de um quarto são procurados por 15% dos eventuais compradores, o que não quer dizer que a demanda seja baixa, pois eles representam apenas 7% de toda a oferta.


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