A aquisição ou construção de um imóvel costuma estar entre as decisões financeiras mais importantes da vida, seja para quem busca realizar o sonho da casa própria ou pretende investir. Por isso, pensar na longevidade do bem é necessário. A durabilidade impacta não só no tempo para usufruir do imóvel, como na valorização.
Em modalidades como a compra de um imóvel na planta ou a participação em um leilão de imóveis no estado do Rio de Janeiro, o preço costuma chamar atenção, mas ele está longe de ser o único aspecto que merece análise.
Ao pensar em lucratividade e valorização de uma propriedade, fatores como estrutura e estado de conservação também devem entrar na conta. Segundo a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), esses dois elementos impactam diretamente o valor de mercado de um imóvel.
A Ademi-RJ destaca que entre os aspectos mais observados pelos compradores estão as instalações elétricas e hidráulicas, os acabamentos, a ventilação, a iluminação natural e o estado geral da construção. No setor imobiliário, esses atributos costumam ser reunidos sob o conceito de qualidade construtiva.
O termo engloba materiais, técnicas e processos empregados para garantir que uma edificação tenha um bom desempenho ao longo dos anos. Em geral, empreendimentos desenvolvidos com atenção aos padrões técnicos têm menor necessidade de reformas corretivas.
A importância da qualidade construtiva também é reforçada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio). A entidade destaca que a construção civil exige um alto padrão de qualidade e que a observância das Normas Técnicas Brasileiras (NBRs) é essencial para garantir segurança, organização e controle em todas as etapas da obra.
Desenvolvidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), as NBRs servem como referência para diferentes processos da construção civil. Entre elas está a NBR 15.575, conhecida como Norma de Desempenho, que estabelece requisitos mínimos de qualidade para edificações habitacionais. O objetivo é assegurar que os imóveis ofereçam níveis adequados de segurança, conforto e durabilidade ao longo de sua vida útil
Quais fatores comprometem a longevidade do imóvel?
Para o arquiteto Laion Fernandes, um dos fatores que mais compromete o envelhecimento de uma casa é uma infraestrutura mal planejada. Instalações elétricas e hidráulicas mal dimensionadas podem gerar problemas de manutenção com o passar do tempo, exigindo reformas que, muitas vezes, envolvem a quebra de pisos, paredes e revestimentos.
Segundo o especialista, a previsão adequada dessas estruturas deve ser um dos pilares da durabilidade de uma construção. O mesmo raciocínio vale para quem está avaliando a aquisição de um imóvel, inclusive em modalidades menos tradicionais, como ao comprar imóveis em leilão em São Paulo. Informações sobre a propriedade e suas características podem constar nos documentos disponibilizados ao público e merecem atenção durante a análise.
Em seu canal no YouTube, o arquiteto destaca, ainda, que o layout também influencia na forma como uma casa envelhece. Imóveis com plantas flexíveis e ambientes adaptáveis conseguem acompanhar melhor as mudanças que ocorrem ao longo da vida dos moradores, desde o crescimento da família até novas necessidades relacionadas ao trabalho remoto ou à acessibilidade.
Além disso, Fernandes alerta para elementos muito engessados dentro da residência. Sofás, bancadas e closets de alvenaria, por exemplo, podem dificultar alterações futuras e limitar novas configurações dos ambientes. Segundo ele, soluções mais versáteis favorecem a adaptação dos espaços sem exigir grandes intervenções estruturais.
Nem sempre um imóvel novo envelhece melhor
A advogada especialista em Direito Imobiliário Ana Cecília Penna destaca, em vídeo publicado em suas redes sociais, que nem sempre um imóvel novo representa um investimento melhor. Empreendimentos construídos com materiais de menor qualidade podem perder atratividade ao longo do tempo, enquanto imóveis mais antigos, mas com acabamentos de qualidade, tendem a preservar ou ampliar seu valor de mercado.
Em situações em que a vistoria prévia é limitada ou não é possível, como pode ocorrer em modalidades como um leilão de imóveis pelo Bradesco ou outros bancos, informações sobre o condomínio, o padrão construtivo e o estado de conservação das áreas comuns podem ajudar a compreender melhor o potencial do imóvel.
Segundo Penna, também é importante observar o histórico da construtora responsável pelo projeto. A especialista recomenda pesquisar sua reputação, verificar a qualidade de empreendimentos já entregues e, sempre que possível, buscar informações junto a moradores de outros condomínios desenvolvidos pela empresa.
Aproveitamento dos espaços x metragem
Durante muito tempo, a metragem foi considerada um dos principais indicadores de valor de um imóvel. Embora o tamanho continue sendo relevante, o mercado passou a valorizar também o aproveitamento inteligente dos espaços, conforme afirma a Ademi-Rj.
Fatores como planta funcional, distribuição dos cômodos, número de quartos, presença de varanda e vagas de garagem podem influenciar a percepção de valor dos compradores. Em muitos casos, imóveis menores, mas com espaços bem aproveitados, conseguem alcançar alta procura e boa valorização.
Essa mudança de comportamento também acompanha transformações na rotina das famílias. A advogada especialista em Direito Imobiliário Ana Cecília Penna observa que imóveis preparados para novas demandas, como espaços voltados ao home office, passaram a despertar maior interesse do mercado nos últimos anos.
A ideia é reforçada pelo arquiteto Laion Fernandes. Segundo ele, uma planta flexível permite que os ambientes acompanhem diferentes fases da vida dos moradores. Um quarto infantil, por exemplo, pode futuramente ser transformado em escritório, sala de estudos ou outro ambiente de apoio, sem necessidade de grandes intervenções estruturais
Além disso, a Ademi-RJ reforça que, além do tamanho, fatores como localização, infraestrutura e funcionalidade podem ter peso semelhante, ou até maior, durante a decisão de compra. O primeiro, por exemplo, é visto como um dos principais fatores de valorização, já que influencia diretamente a mobilidade, a qualidade de vida e o interesse do mercado pelo imóvel.
A entidade destaca ainda que melhorias urbanas podem aumentar o interesse por determinadas regiões. “Quando um bairro recebe investimentos em mobilidade, comércio e serviços, a tendência é de aumento da procura”, destaca a instituição.
Tecnologia, eficiência energética e sustentabilidade ganham espaço entre os critérios de avaliação
As mudanças nas exigências dos compradores também têm ampliado o peso da tecnologia na decisão de compra de um imóvel. Segundo a Ademi-Rj, recursos como fechaduras digitais, sistemas de reconhecimento facial, portarias remotas e integração com aplicativos de controle se tornaram obrigatórios em empreendimentos de alto padrão.
Especialistas ouvidos pela instituição apontam que soluções tecnológicas contribuem para a praticidade do dia a dia e podem reduzir custos operacionais dos condomínios. Agora, existe ainda uma preocupação com eficiência energética entre compradores e investidores. Itens como painéis solares, sistemas de reaproveitamento de água, iluminação eficiente e materiais sustentáveis passaram a integrar a lista de atributos observados durante a avaliação de um imóvel.
O arquiteto Laion Fernandes observa que a infraestrutura elétrica precisa acompanhar essa evolução. Ele cita como exemplo a popularização dos carros elétricos, dos fogões de indução e de outros equipamentos que exigem maior capacidade energética. Para o especialista, imóveis preparados para futuras adaptações tendem a responder melhor às mudanças tecnológicas que surgem ao longo das décadas.